quinta-feira, 15 de junho de 2017

Unicidade de mente e corpo

Unicidade de mente e corpo
O pleno equilíbrio dos aspectos da vida


No livro Escolha a Vida — Um Diálogo sobre o Futuro, o presidente Ikeda e o historiador britânico Dr. Arnold J. Toynbee discorrem sobre os diversos assuntos que defrontam o homem moderno. Em dado momento desse diálogo, iniciam uma reflexão sobre a relação do corpo e da mente (espírito), e a importância de integrá‑los de maneira sensata e equilibrada

soka gakkai

A ciência tem avançado em busca de uma visão cada vez mais integrada do ser humano. A compreensão da relação entre corpo e mente se desenvolveu com grande rapidez nas últimas décadas.
Essa complexa interação entre o mundo físico e o mental é denominada no budismo de “unicidade de corpo e mente” ou “não dualidade de corpo e mente” (shikishin funi), e é interpretada como a “mente que influencia o corpo”, e vice-versa.

O que é shikishin funi?

A palavra shiki (corpo) representa os fenômenos físicos, incluindo o corpo humano. Em outras palavras, shiki é o aspecto material da vida. Shin (mente ou espírito) refere-se aos vários aspectos fenomenais da vida e aos distintos tipos de atividades espirituais invisíveis que não podem ser apreendidos em termos de métodos físico-químicos, como a razão, o intelecto, os desejos e as emoções. Funi é a abreviatura de nini‑funi, que literalmente significa “dois, mas não dois”. Embora observados separadamente, corpo e mente são unos em essência.
Abaixo apresentamos um trecho do
livro Escolha a Vida ­— Um Diálogo
sobre o Futuro, no qual o presidente Ikeda apresenta o conceito:
IKEDA: Nem shiki [corpo] nem shin [mente]
é mais fundamental que o outro. Exercem
poderes ativos em seus aspectos individuais e a vida só se manifesta em sua forma mais autêntica quando os dois se transformam numa entidade vivente. A doutrina budista de shikishin funi explica a vida em termos da unidade de seus dois aspectos: elementos suscetíveis de explicação em termos científicos e outros que são parte de uma corrente mais profunda, na qual repousam todos os fenômenos da vida.
TOYNBEE: Uma vez que só podemos analisar a unidade hipoteticamente real, embora mentalmente incompreensível, desses elementos constituintes aparentemente díspares, suponho que o conceito shikishin funi é a maior aproximação possível de uma compreensão da realidade em si.
Fonte: Escolha a Vida, p. 25, 1a edição.

Fatos e curiosidades sobre a influência do corpo e a mente

O modo como pensamos pode influenciar nosso corpo, e a maneira como cuidamos dele pode fazer com que a mente desempenhe seu papel de forma mais sábia e eficaz. Listamos
alguns tópicos curiosos e outros para
deixar seu corpo e mente em equilíbrio

Sono

Uma pesquisa feita pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), Estados Unidos, mostra que deixar de dormir algumas horas à noite para estudar um pouco mais piora o desempenho do aluno no dia seguinte.
A falta de sono criou mais problemas relacionados ao desempenho nos exames do que compreensão dos adolescentes sobre as matérias.

Ainda sobre o sono...

Você sabia que se acreditar que dormiu bem, acaba tendo um dia melhor? É o que cientistas descobriram recentemente durante estudos sobre o sono.
Pesquisadores fingiram monitorar o sono de alguns voluntários e disseram que elas dormiram bem. Essas pessoas tiveram um desempenho muito melhor que as demais em um teste cognitivo posterior.

Visualização criativa

Muitos atletas afirmam que “jogar” o jogo em sua mente antes de pisarem no campo, na quadra ou na pista lhes ajuda a melhorar o desempenho na competição real. Parece que se trata apenas de um exercício mental que proporciona melhor concentração, contudo, mudanças podem acontecer no organismo e até em seu ambiente através dessa visualização. O mesmo acontece com os objetivos, quando uma pessoa determina que vai vencer e se empenha de corpo e alma para isso, cria as causas necessárias para obter o efeito almejado.

Fé e saúde de mãos dadas

Problemas emocionais ou sentimentos como raiva, ansiedade, angústia, medo ou desejo de vingança podem desencadear as chamadas doenças psicossomáticas — que podem produzir reações reais e físicas como depressão, dor de barriga, tremores etc.
“Em certas doenças, a fé do paciente na cura pode funcionar por si só”, afirma o cardiologista americano Herbert Benson, fundador do Instituto Médico Mente e Corpo, ligado à Universidade Harvard.
Ter fé e convicção resulta em benefícios em todos os aspectos da vida, desde a mente, com o surgimento do otimismo, a determinação e a alegria de viver até o corpo, proporcionando saúde e vigor incomparáveis.

Exercícios físicos

Prezar a qualidade de vida e até mesmo prevenir doenças por meio de exercícios têm sido práticas cada vez mais constantes. Com os exercícios físicos, o coração bate mais rapidamente, bombeia sangue por todo o corpo e ativa o cérebro e seus intrincados circuitos neurais — o que, segundo estudos recentes, é o maior benefício do exercício físico. Além de trazer reflexos positivos para o corpo, a atividade física auxilia no bem-estar psicológico, contribuindo para uma vida feliz e com qualidade.

Iogues "zumbis"

Depois de ouvir histórias de iogues que passavam 28 dias enterrados e sobreviviam, em 1936, um cardiologista francês chamado Therese Brosse viajou à Índia para ver se eles realmente tinham talentos para manipular os processos fisiológicos. Nos experimentos, ele constatou que os iogues teriam diminuído tanto as batidas do coração que elas só foram detectadas por um eletrocardiograma.

Manifestar respeito à dignidade da vida

Manifestar respeito à dignidade da vida


No artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos consta: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”.1 Em sua Proposta de Paz enviada à Organização das Nações Unidas (ONU) em 2016, Ikeda sensei afirma: “A base do budismo é a crença na dignidade inerente a todas as pessoas”2


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Respeito à dignidade do ser humano

Muitas vezes, bens materiais são valorizados acima de outras coisas. As pessoas buscam status e riqueza e se esquecem do valor do próprio ser humano. Por essa razão, ao pensarmos sobre ter uma vida digna, associamos à ideia de sermos reconhecidos e ricos; e só assim poderemos ser felizes.
Na realidade, o bem mais precioso que existe é a nossa própria vida. Em um diálogo com presidente Ikeda, o historiador britânico, Arnold J. Toynbee disse: “A dignidade [da vida] é um valor que, ao contrário de todos os demais valores, é absoluto e impossível de trocar por qualquer coisa”.
Compreendendo o imenso valor de cada um e reconhecendo a dignidade da vida de cada ser humano, devemos demonstrar nosso máximo respeito a todos, independentemente das diferenças.
“Nossa atual situação deve tornar-nos humildes, e esse senso de humildade estimular-nos a adquirir a dignidade sem a qual nossa vida não tem valor e sem a qual nenhum de nós pode ser feliz. A dignidade humana só pode ser conquistada no campo da ética, e o progresso ético é medido pelo grau em que nossos atos são pautados pela compaixão e amor, e não pela cobiça e agressividade”
Dr. Daisaku Ikeda
(Escolha a Vida, p. 346, 1a edição)

Respeito ao meio ambiente

Tudo ao nosso redor tem vida, inclusive a natureza como um todo; flores, árvores e rios são seres vivos e, por terem vida, merecem respeito. O homem destrói o ambiente em que vive, como vemos em desmatamentos das florestas, poluição da água, lixo nas ruas e poluição do ar pelos gases tóxicos. Essa postura mostra desrespeito ao meio ambiente e causa grande impacto em nossa vida. Enchentes, alagamentos, aquecimento global são exemplos de problemas decorrentes dessa atitude.
O presidente Ikeda diz: “Vamos canalizar nossos esforços para a preservação do meio ambiente. Além do plantio de árvores, é importante plantarmos no coração das pessoas a filosofia budista de valorizar o meio ambiente”.3
Como sucessores Ikeda 2030, devemos respeitar todos os seres vivos. Vamos cultivar em nosso coração e no coração de nossos amigos a importância do respeito à dignidade da vida em todos os aspectos, respeitando as diferenças de cada pessoa e o meio ambiente também. Assim, criaremos um mundo de paz e grande harmonia onde cada ser vivo tem seu valor. Valorizar a essência é o que o budismo busca.

Contribuição local

Contribuição local
Bruno de França Correia


Idade: 18 anos
Organização: CCLP, RM São Miguel
Cidade/Estado: São Paulo, SP
Formação: Cursa história na Universidade Federal de São Paulo
Função: Coordena o Cursinho Popular
Professora Leila Regina
Bruno estudou em escola pública desde pequeno.
Em gratidão às oportunidades que teve, decidiu contribuir para a sociedade e hoje coordena um cursinho pré-vestibular gratuito na região onde mora
Você começou a lecionar e se tornou coordenador de um cursinho pré‑vestibular com apenas 17 anos.
Qual era seu sentimento na época?
Pura gratidão. Fui aluno de cursinho popular em 2015 e lá conheci muitas pessoas que davam aula voluntariamente buscando tanto aprimoramento pessoal quanto ver nossas conquistas como alunos. Quando ingressei numa universidade, meu primeiro desejo foi retornar ao cursinho e dar continuidade a essa corrente do bem. Quis ajudar os jovens e adultos do local onde moro, pois vivo aqui e sei das dificuldades que enfrentam.
Como foi lecionar para pessoas mais velhas e experientes que você?
De início foi assustador, tinha medo de não corresponder às expectativas dessas pessoas. Cheguei a dar aula para aquelas que terminaram o ensino médio antes mesmo de eu nascer ou meus pais se conhecerem. Mas, como verdadeiro discípulo e sucessor Ikeda, não poderia desistir, encarei isso como oportunidade de aprender e conhecer a história dos meus alunos e assim transformar a aula num verdadeiro diálogo, compartilhando experiências.
Houve alguma adversidade que o fez pensar em desistir do projeto?
Somos seres humanos e temos a tendência de pensar em desistir. Porém tenho a sorte de ter um mestre da vida e uma família que sempre me apoia! O desafio do trabalho voluntário, e também o de reunir outros jovens que queiram ajudar o projeto, é árduo. Desistir, jamais. Aprendi na Divisão dos Estudantes que devo enfrentar meus desafios até o fim sem retroceder! Se é da DE, tem que vencer!
O que significa para você agir localmente e contribuir para o desenvolvimento de uma região?
É ter em mente que por meio das nossas ações locais, dentro da nossa comunidade e da realidade que nos encontramos, podemos, com certeza, transformar o mundo! Desenvolver os jovens e adultos da minha região é ter consciência de que eles também irão desenvolver outros jovens e se tornarão protagonistas da sociedade!
Apesar de tantas atribuições ainda novo, você conseguiu manter seu sonho e ingressar na faculdade poderia compartilhar um pouco desse desafio?
No terceiro ano do ensino médio, precisava fazer o trabalho de conclusão de curso (TCC). Eu estudava em período integral, então fiz cursinho popular aos sábados; realmente era uma rotina cansativa. Mas não há oração sem resposta, meu sonho foi concretizado. Em meu TCC, pude auxiliar professores de matemática do ensino público a ensinar geometria por meio de um software que tridimensionava e dava movimento às formas geométricas. Creio que ter em mente o desenvolvimento próprio e o das pessoas ao redor é a receita primordial para a realização de boas causas. E para tudo isso precisamos de energia e sabedoria. Assim, ler as orientações de sensei, recitar daimoku e ir às atividades são a base de tudo.
Quais são os planos de desenvolvimento do projeto?
Desde a sua fundação, no dia 18 de novembro 2016 — data mais que significativa para nós, associados —, o cursinho teve 220 alunos matriculados para o ano de 2017. Nossos planos consistem em ampliar esse número e focar na conscientização da comunidade de que o cursinho está lá para ser aproveitado! Que juntos podemos sim transformar a vida das pessoas, independentemente de etnia, gênero, orientação sexual e, principalmente, idade! Nunca é tarde para estudar!
Tem algum conselho que gostaria de deixar para os Estudantes?
Jamais deixem de acreditar no potencial de vocês e nos seus colegas! Vocês são os únicos representantes dos seus sonhos! Estudem, acreditem e orem, pois com toda a certeza serão vitoriosos. Vamos tomar o espaço de protagonistas do mundo e realizar a mudança, começando pela nossa localidade.

Números do projeto

- Mais de 220 jovens já passaram pelo projeto
- Mais de 50 professores e colaboradores voluntários
- 15 estudantes ingressaram no ensino superior
em 2017 graças ao Cursinho Popular Professora Leila Regina
 clique para ver a imagem no tamanho real.
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Bruno e a equipe que auxilia na coordenação do cursinho

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Bruno incentiva os estudantes do cursinho popular do qual também fez parte: sentimento de gratidão

O castelo do Reino Unido

O castelo do Reino Unido

Série de incentivos do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, direcionada à DE-Herdeiro e DE‑Esperança, publicada no jornal Mirai em dezembro de 2014

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Meu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, adorava castelos. O ideograma chinês jo — “castelo” — faz parte do seu nome. Ele me presenteou com o pseudônimo Daijo, que significa “grandioso castelo”.
O Sr. Toda se levantou sozinho perante as ruínas da Segunda Guerra Mundial e iniciou a construção de um castelo da felicidade e da justiça para todas as pessoas, um castelo imbuído da filosofia da dignidade da vida. Ele confiou em nós, jovens, para proteger esse castelo e transformá-lo num grandioso castelo de paz, cultura e educação para expandi-lo ao mundo.
O Centro Cultural Taplow Court — castelo do kosen-rufu do Reino Unido — foi inaugurado em maio de 1989, 27 anos atrás, em uma colina perto do rio Tâmisa, aproximadamente 40 quilômetros a oeste de Londres.
Quando visitei pela primeira vez esse centro cultural, o prédio principal feito de tijolos vermelhos estava cercado pela vegetação, e o céu azulado se estendia sobre os telhados pontiagudos.
Assim que cheguei, iniciou-se um diálogo muito agradável com os associados da localidade, repletos de dignidade e humor caloroso como verdadeiros cavalheiros e damas britânicos. Representantes da DE também estavam presentes, com os olhos brilhando. Caminhei com eles pelo jardim e arredores, que foram delicadamente cuidados pelos membros.
Daquele momento em diante tive maravilhosos encontros com os Estudantes todas as vezes que visitei o local. Aqueles jovens amigos cresceram e se tornaram líderes, agora estão na vanguarda de sua localidade.
O Centro Cultural Taplow Court é verdadeiramente um castelo de esperança, e será no futuro um lugar onde pessoas abertas ao treinamento se aprimorarão.
Existe uma área que fica logo acima do Centro Cultural Taplow Hill que dizem estar inabitada há pelo menos 2 mil anos. No terreno desse centro cultural também existem lugares com 1.400 anos de existência.
Na metade do século 19, Taplow Court sofreu uma reforma que resultou em seu aspecto gótico-vitoriano. Os jardins — dispostos geometricamente —, assim como os caminhos de cedro, de norte a sul são magníficos.
Devido à sua proximidade com o castelo de Windsor — residência da família real —, Taplow Court foi palco de encontros sociais. Soube certa vez de um ditado que diz “se você aluga um cavalo em Windsor, ele naturalmente irá cavalgar até Taplow”. O lugar também foi visitado por outras famílias reais e escritores famosos como Rudyard Kipling (1865—1936) e Oscar Wilde (1954—1900), fazendo com que esse centro cultural adquira um rico histórico.
Desejo que vocês algum dia tenham a chance de levar seus pais e familiares para visitar o Centro Cultural Taplow Court.
O primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1874—1965) também adorava Taplow Court. Ele chegou a plantar ali uma árvore, que cresceu majestosamente em sua forma mais singular. “O futuro está em nossas mãos. Nós somos responsáveis pelas escolhas em nossa vida”¹ — essa era a convicção de Churchill enquanto ele liderava a Inglaterra em sua luta contra o ataque dos militares nazistas.
O que se tornou a base de vida do primeiro‑ministro? Muita leitura! Um dos livros favoritos de Churchill era A História do Declínio e Queda do Império Romano do autor Edward Gibbon. Por causa de seu estudo aprofundado sobre história, ele estava apto a olhar para o futuro com mente aberta.
Churchill diz: “Se não pode ler todos os seus livros, de forma alguma, deixe eles se tornarem seus amigos”.1
Comecem com os livros que vocês já possuem em casa, ou vão até a biblioteca e peguem a primeira obra que despertar seu interesse. O mais importante é continuarem folheando-a, pois tenho certeza de que lhes dará uma nova perspectiva de vida.
“Qual o assunto deste livro?” — esse tipo de emoção e curiosidade ajuda descobrir e desenvolver o potencial de cada pessoa. Abrir um livro é como abrir uma porta para o futuro.
O Reino Unido é um país com tradição
quando se trata de direitos humanos. A Magna Carta foi o documento que limitou os poderes dos monarcas da Inglaterra, assinada no século 13. Algumas cláusulas ainda permanecem como parte da Constituição britânica e também possuem influência no rascunho da Constituição americana, assim como muitos outros documentos importantes ao redor do mundo.
Também, o Reino Unido foi palco do início da Revolução Industrial e líder em modernização. A capital, Londres, continua fascinando muitas pessoas, e é conhecida na história como uma das cidades mais cosmopolitas do mundo. Um terço de sua população é formado por indivíduos de fora do país. É uma capital dos cidadãos globais, brilhando com sua tradição, inovação e diversidade.
Em maio de 1972, tive a oportunidade de visitar a casa de um dos maiores historiadores do século 20, Arnold J. Toynbee (1889—1975) a pedido do próprio Toynbee. Ele tinha 83 anos, e eu, 44. Apesar da diferença de idade, ele me escolheu para um diálogo sobre muitos assuntos desafiadores que a humanidade enfrentava. Nosso diálogo se estendeu pelo ano seguinte, totalizando mais de 40 horas.
Nós continuamos a compartilhar pensamentos através de cartas, e nosso diálogo foi posteriormente publicado no livro em inglês Choose Life (Escolha a Vida– Um Diálogo sobre o Futuro, em português). Traduzido para 28 idiomas, essa obra foi lida por presidentes, líderes mundiais, figuras culturais importantes de vários países e descrita como “um livro para a humanidade”.
Ainda sobre a vida dedicada à educação, Toynbee citou uma passagem de uma antiga comédia escrita pelo dramaturgo romano Terrence: “Eu sou um homem; eu não considero os assuntos dos outros como se não fossem da minha conta”.3
O Dr. Toynbee foi tomado por uma forte e determinada paixão de continuar seus esforços enquanto existisse uma pessoa sofrendo.
Quando lhe perguntei qual era seu lema, respondeu imediatamente: “Laboremus, em latim, que significa ‘vamos trabalhar’”. Embora eu esteja mais velho agora do que quando o conheci, continuo a me inspirar para agir com essas mesmas palavras.
Enquanto Toynbee viveu, cultivou suas amizades da Universidade de Oxford como se fossem preciosos tesouros, embora a maioria tenha falecido muito jovem durante a Primeira Guerra Mundial. Na época, Toynbee estava doente e se declarou inapto para o serviço militar. Cerca de vinte fotografias de seus amigos de Oxford que morreram durante a guerra estão expostas sobre a lareira de seu apartamento.
Com lágrimas nos olhos, contou que quanto mais velho ficava, mais poderosas se tornavam as memórias dos amigos que faleceram. Ele pôde vivenciar experiências preciosas, porém não parava de pensar na morte desses amigos e como lhes foi tirada a chance de também vivenciarem tais experiências. Toynbee dedicou-se ao máximo aos estudos, lutando por seus companheiros que não tiveram essa oportunidade. E estava determinado a assumir a vanguarda para abrir caminho a outros jovens que, por causa da guerra ou por estarem em situação de pobreza, estavam impedidos de ter chance à educação.
Para Toynbee, adquirir conhecimento seria uma forma de demonstrar sua amizade aos amigos falecidos, assim como o ponto de partida para sua luta pela paz.
Existe uma expressão popular em
francês — usada também na língua
inglesa —, noblesse oblige [“obrigação da nobreza”, em português], a qual significa que aqueles que possuem a boa sorte de ter oportunidades têm a responsabilidade de ajudar aqueles que são menos privilegiados. E representa a tradição de que aqueles que possuem posição de liderança e desfrutam circunstâncias favoráveis têm a responsabilidade de estudar e transformar a si mesmos em pessoas melhores, construindo um “eu melhor” de sabedoria e coragem em prol do povo, mesmo que signifique pôr de lado seus interesses pessoais para o bem de outras pessoas. Por trás desse espírito de noblesse oblige estão os ideais da nobreza, que visam que os líderes se esforcem primeiro para polir o próprio caráter como seres humanos.
Toynbee foi um exemplo desse ideal. Enquanto conversávamos, ele enfatizou: “A educação deve ser a procura pelo entendimento da razão e do significado da vida, e também a descoberta de um modo correto de viver”.4
Nichiren Daishonin direciona: “Se a Lei que o indivíduo abraça é suprema, então a pessoa que a abraça deve ser exemplo dentre todas as outras” (WND, v. I, p. 61). Como praticantes do Budismo de Nichiren Daishonin, religião cuja filosofia é de extremo respeito à dignidade da vida, vocês estão se esforçando como bons filhos e filhas, cuidando de seus amigos e se dedicando aos estudos enquanto avançam rumo ao futuro. E com isso estão vivendo uma juventude sem arrependimentos, da forma mais nobre que possa existir.
Durante minha estada no Reino Unido, visitei dois lugares que foram muito significativos para a vida de Toynbee. O primeiro foi a Universidade de Oxford, e o segundo, a Universidade de Cambridge, alma mater (expressão em latim para designar instituições de ensino que formam intelectualmente seus alunos) da esposa dele, Veronica Toynbee (1894—1980). Eu me recordo do sorriso caloroso do casal Toynbee; os dois estavam muito satisfeitos por eu ter visitado essa universidade.
Escrevi a seguinte frase no livro de visita da biblioteca da Universidade de Oxford: “Educação e livros são os pilares dourados da humanidade, da sociedade e do indivíduo”.
O verdadeiro aprendizado permite nos tornar pilares dourados que podem apoiar as pessoas, a sociedade e a humanidade. Quanto mais um indivíduo estuda, mais ele pode brilhar.
“Por que estudar?” — Espero que vocês, bravos campeões Soka, da Divisão dos Estudantes nunca se esqueçam desse questionamento importante enquanto se desafiam em meio a suas leituras e estudos.
Aconteceu um fato memorável no verão do ano de 1971, ano anterior ao início do meu diálogo com Toynbee. Um curso de aprimoramento da Soka Gakkai com 7 mil participantes da DE‑Herdeiro estava acontecendo na prefeitura de Shizuoka, Japão.
Uma grande quantidade de escoteiros de vários países, que estavam participando de um encontro, acampavam perto de Asagiri Heights — próximo ao Monte Fuji, — quando a passagem de um tufão forçou-os a evacuar rapidamente a área. De imediato, fiz uma série de ajustes com os jovens da DE-Herdeiro para acomodar cerca de 6 mil escoteiros. Sinto orgulho ao lembrar que os componentes das bandas de fanfarra se apresentaram para dar-lhes boas-vindas, e muitos jovens brilhantemente serviram como intérpretes na ocasião.
O último grupo de escoteiros a evacuar a área e a se abrigar conosco foi o do Reino Unido. “Nós não nos importamos em ser os últimos, por favor, cuide primeiro de nossos amigos escoteiros de outros países”, disseram. Louvando a coragem desses escoteiros, cumprimentei-os apertando firmemente as mãos de seu líder.
Certa vez compartilhei uma antiga história de um cavaleiro para os jovens da SGI-Reino Unido. O cavaleiro foi capturado na batalha por seus inimigos, os quais alcançaram seu castelo. Ridicularizando-o, eles perguntaram: "Onde está o seu castelo? Você perdeu tudo!". Mas o cavaleiro capturado colocou a mão em seu coração e disse com dignidade: "Meu castelo está aqui em meu coração".
Espero que todos vocês edifiquem no coração castelos de sabedoria brilhando com boas maneiras e integridade, e castelos de convicção, baseados num firme compromisso com a verdade e a justiça — castelos tão belos e bonitos como o Centro Cultural Taplow Court.
O valor e o significado da vida de cada um nunca podem ser diminuídos por nada nem ninguém. O importante é que vocês possam se aprimorar com base numa filosofia sólida e saber quais as ações irão tomar e para que finalidade.
Junto com seus companheiros de todo o mundo, ergam-se como castelos imponentes, com o coração cheio de orgulho como portadores da justiça, avançando ao longo do grande caminho para a paz. Por favor, sejam sábios e tenham atitudes corajosas!

Uma carta de agradecimento

O incentivo de um líder do Brasil


Em abril passado, 17 líderes das Divisões Sênior (DS), Feminina (DF) e dos Jovens (DJ) participaram do Curso de Aprimoramento da Primavera da SGI. Nesta edição, RDez publica momentos preciosos compartilhados pela Sra. Meiry Hirano, coordenadora da Divisão Feminina da BSGI

budismo nitiren

A maior alegria é saber que Ikeda sensei e a Sra. Kaneko estão muito bem de saúde e desfrutando uma disposição contagiante, visitando diversos locais e se encontrando com os companheiros do Japão e do mundo. De janeiro a abril, foram treze visitas, dentre elas para as sedes regionais, a Escola Soka de Tóquio e a Universidade Soka, esta última ocorreu no dia 13 de abril quando o casal visitou o campus da universidade para apreciar as belas flores de cerejeiras em sua máxima plenitude. Foi nesse dia em que alunos brasileiros também se encontraram com o presidente Ikeda e a Sra. Kaneko, registrando mais um episódio entre mestre e discípulos do Brasil.
No diálogo com a Sra. Yumiko Kasanuki, coordenadora da Mulheres da SGI, ouvimos o episódio de um estudante e sua mãe que enviaram uma carta de agradecimento a um líder da Divisão dos Estudantes (DE) pelo incentivo e pelo “presente” que foram fundamentais para a vitória da família. Para nossa surpresa, o líder é brasileiro, Glauber Veríssimo, responsável pela DE da Subcoordenadoria Sul-Fluminense, CGERJ, que participou do Curso de Aprimoramento de Outubro de 2016, em Shikoku, Japão (confira na matéria ao lado).
Este episódio repercutiu entre as integrantes da DF de todo o Japão, uma vez que mostra o exemplo de como um incentivo de um líder da DE, alinhado à sincera determinação da mãe em criar os filhos no jardim Soka, é capaz de despertar o ilimitado potencial nos sucessores, cultivando o coração de um verdadeiro filho do rei leão.
“Os jovens do Brasil foram criados desta forma pelos pais — o Grupo Coração do Rei Leão — com esse grandioso coração” — essa foi a afirmação da Sra. Kasanuki.
Que extraordinário, não é mesmo? Seguindo este exemplo, vamos sempre incentivar, apoiar e proteger nossos preciosos Sucessores Ikeda 2030 que, pela determinação de Ikeda sensei, irão assegurar um brilhante futuro para toda a humanidade.


Uma carta de agradecimento



budismo nitiren
Vinte e dois integrantes da BSGI tiveram a oportunidade de ir à região de Shikoku participar do intercâmbio com os companheiros da localidade em outubro de 2016. Ao fim da atividade, já se despedindo dos novos amigos, Glauber presentou um Estudante de 13 anos com um juzu (rosário budista) de sua bisavó dizendo “Se esforce! Vamos vencer juntos”.
Quem imaginaria que um rápido encontro, em meio a toda euforia de emoção e despedida, se tornaria num forte e eterno laço de vida?
Em março deste ano (2017), seis meses depois do encontro, o Estudante e a mãe enviaram, cada um, uma carta para Glauber relatando como aquele incentivo e presente se tornaram um grande estímulo para conquistar a vitória.
Em sua carta, a mãe conta que, quando seu filho estava com 6 anos, o avô tinha decidido levar o neto para conhecer a Escola Soka de Kansai, mas por problemas de saúde precisou ficar internado por um longo período e não conseguiu cumprir este objetivo. O Estudante não fazia muito daimoku, porém esta fase se tornou seu ponto primordial da prática da fé. Ao ver diversos companheiros da organização apoiarem seu avó na recuperação, recitando daimoku junto (com ele) ou em prol dele, o Estudante determinou que um dia se tornaria um médico que pudesse ajudar as pessoas com essa prática da fé, estudando primeiro na Escola Soka de Kansai – onde seu avó queria tê-lo levado.
O mês de outubro de 2016 foi justamente um período crucial, pois em poucos dias o estudante iria prestar o vestibular para ingressar na Escola Soka. A mãe relata que o filho orou todos os dias com o juzu que recebeu de presente. No entanto, ele não fora aprovado no exame e chorou muito, afinal este era seu grande sonho.
Dias depois, mãe e filho participaram do gongyokai no Auditório do Grande Juramento em Shinanomachi. Ao término da atividade, receberam uma ligação inesperada do diretor da Escola Soka de Kansai que disse: “Olá, vocês estão bem? Há um aluno que foi aprovado nas duas Escolas Soka [de Tóquio e de Kansai] e decidiu ir para a de Tóquio. Gostaria de saber se seu filho ainda quer ser nosso aluno, porque ele é o próximo da lista
dos aprovados”.
Imaginem a alegria da mãe e do filho!
Ao receber a notícia inesperada, o Estudante fez questão de comunicar a vitória ao amigo brasileiro e, ao final da carta, disse: “Mesmo que o Sr. [Glauber] não queira, prometo que continuarei a lhe escrever para compartilhar minhas vitórias. Como filho do rei leão, prometo cumprir meu juramento!”.

Amizade pela paz - 45 anos de um diálogo histórico

Amizade pela paz
45 anos de um diálogo histórico


Maio é o mês de grande importância para a Soka Gakkai e o mês do juramento para o nosso mestre. É o período em que há 45 anos ele se encontrava com o renomado historiador britânico Arnold Toynbee com quem estreitara uma profunda amizade de diálogo pela paz. Esse encontro, diálogo e amizade tiveram e continuam a ter um papel essencial na trajetória do presidente Ikeda como pacifista.

daisaku ikeda

“A chave para cultivar a verdadeira amizade é o diálogo” Dr. Daisaku Ikeda
(Brasil Seikyo, ed. 1.716, 20 set. 2003, p. A2)
“Vamos dialogar em prol do futuro!” — assim começa o diálogo do presidente Ikeda com o historiador britânico Arnold Toynbee. O primeiro encontro ocorreu em 5 de maio de 1972, quando iniciaram um diálogo e troca de correspondências até 19 de maio do ano seguinte, ocasião em que se encontraram pela segunda vez. No total, foram dez sessões e quarenta horas no decorrer de duas visitas a Londres.
Por que este encontro e a amizade se tornaram fundamentais para o presidente Ikeda?
Ele afirma: “No último dia do nosso diálogo, o erudito de 84 anos olhou gentilmente para mim, na época com apenas 45 anos, e disse que somente o diálogo poderia abrir o caminho do futuro da humanidade; e incentivou-me a continuar trocando ideias com grandes pensadores do mundo” (Terceira Civilização, ed. 425, jan. 2004, p. 32).
A partir de então, o presidente da SGI se engajou em mais de 1.600 diálogos com líderes mundiais, intelectuais e incontáveis pessoas comuns pelos anos seguintes, construindo uma rede dourada de amizade que se expande pelo globo.
Uma amizade real não significa um relacionamento de conforto em que ambas as pessoas concordam sobre determinado assunto ou se simpatizam por terem os mesmos gostos e interesses. É uma relação que deve levar a aspirações e desenvolvimento mútuos, buscando o bem do povo e da sociedade. Quando existe um diálogo sincero, a inimizade transforma-se em confiança, e a desconfiança, em amizade.
Assim, o encontro, o diálogo e a amizade entre o presidente Ikeda e o historiador Toynbee foram essenciais para o nosso mestre se encontrar com as pessoas, além de ser reconhecido e respeitado mundialmente por suas ações pela paz, e para desenvolver jovens que cultivassem o mesmo ideal.

Fortaleza para a paz da humanidade

O Dr. Toynbee sempre se perguntava: “O que eu posso fazer pela paz e pela humanidade?”.
Em resposta a essa indagação é que o historiador britânico conheceu o presidente Ikeda, os princípios e a essência do Budismo de Nichiren Daishonin e depositou grande confiança nas atividades promovidas pela Soka Gakkai e na ação em se engajar no diálogo com as pessoas ligadas ao mestre.
Sobre isso, o presidente Ikeda se recorda:
Certa vez, quando jantávamos juntos em um restaurante de Londres durante nossos diálogos, o Dr. Toynbee disse-me que se fosse mais jovem gostaria de ter estudado e praticado a essência do budismo do Leste Asiático. Embora admitisse ter alcançado certo reconhecimento e respeito como historiador e filósofo, confidenciou-me sentir que eu, que abraço e pratico o budismo, tinha uma vida mais feliz. Essas francas palavras do Dr. Toynbee me fazem lembrar uma vez mais sua profunda humanidade.
O budismo é um ensinamento que expõe a eternidade da vida. A verdadeira fé religiosa significa se dedicar pela felicidade humana que perdure pelo passado, presente e futuro. Essa é a conclusão a que o Dr. Toynbee e eu chegamos em nosso diálogo.
(Brasil Seikyo, ed. 1.700, 17 jun. 2003, p. A3)
Para o Dr. Toynbee, o presidente Ikeda era um jovem [de 45 anos na época] que se tornou um grande amigo e compartilhava os mesmos ideias de vida. Ele enxergou em nosso mestre que a paz e o humanismo entre os povos seriam capazes de avançar de maneira concreta, realizando assim um sonho que o historiador próprio cultivara ao longo de sua existência.
Alguns anos após ao início dessa relação de verdadeira amizade, o presidente Ikeda tomou ações ainda mais efetivas se encontrando com outras personalidades em diversos países. Assim, a SGI foi estabelecida em janeiro de 1975 e se expandiu para 192 países e territórios como uma organização de verdadeira solidariedade humana visando a paz, cultura e educação e de pessoas felizes.

Dr. Arnold Toynbee, um sábio internacional

Nascimento
Londres, 14 de abril de 1889
Falecimento
Aos 86 anos, 22 de outubro de 1975
Contribuição
Dr. Toynbee escreveu o prefácio da versão em inglês do romance Revolução Humana, externando sua expectativa por este movimento [da revolução humana] promovido pela Soka Gakkai.
Um pouco mais...
Lecionou grego e história na Universidade de Londres. Quando se aposentou, em 1955, viajou por vários países, inclusive o Brasil, e registrou suas impressões em livro.

Escolha a Vida

O encontro
O presidente Ikeda se encontrou com o Dr. Toynbee, a pedido do historiador, em Londres, e o primeiro encontro ocorreu em 5 de maio de 1972.
Diálogo
Conduzido por ambos, entre maio de 1972 e maio de 1973, cobriu ampla gama de assuntos relacionados a vida, ética e religião, sendo publicado em forma de livro intitulado Choose Life: A Dialogue (Escolha a Vida, em português), lançado em 1975. O livro foi traduzido para 26 idiomas.
Compilação
O trabalho de redação e de reordenação do diálogo foi coordenado por Richard L. Gage, renomado tradutor residente no Japão. A formatação do diálogo para a edição de um livro exigiu um trabalho editorial tão hábil quanto árduo da parte de Richard Gage. Foi uma tarefa de persistência classificar e ordenar toda a discussão de uma série de assuntos em temas específicos para facilitar a leitura e a compreensão do diálogo.


Toynbee e a Nova Revolução Humana


daisaku ikeda

No romance, o presidente Ikeda relata sobre esse momento:
Atendendo o forte anseio de Toynbee, Shin’ichi tomou providências para publicar o diálogo em livro.
Depois de alguns meses de exaustivo trabalho de redação, o primeiro original foi submetido a avaliação e complementação do texto por parte dos autores.
Shin’ichi pensou: ‘Publicar o diálogo em livro significa deixar uma ideologia para a posteridade. Quando nosso diálogo for encontrado em várias partes do mundo, um grande número de pessoas haverá de pensar sobre a paz ao lê-lo, e também abrirá os olhos para o budismo’.
Neste mesmo ano, no mês de maio, Shin’ichi viajou a Londres para entregar pessoalmente a edição japonesa do livro para Arnold Toynbee.
Quando Shin’ichi desembarcou em Londres, Toynbee encontrava-se convalescendo num hospital onde se internara algum tempo antes. Por recomendação médica, as visitas estavam suspensas.
Shin’ichi visitou então o Instituto Real de Assuntos Internacionais da Inglaterra para solicitar aos assessores que transmitissem ao historiador seus votos de pronto restabelecimento e lhe entregassem o exemplar do livro.
Depois de ver publicado seu diálogo com Shin’ichi, Toynbee faleceu no outono daquele mesmo ano. Estava com 86 anos.
No ano seguinte, a edição inglesa do diálogo foi publicada pela Oxford University Press com o título Choose Life (Escolha a Vida), o qual foi inspirado num texto do Velho Testamento da Bíblia Sagrada, citado por Toynbee. O título era a expressão do apelo apaixonado de Toynbee à humanidade: ‘Escolha o caminho da vida!’, ‘Viva e sobreviva pelo bem do próprio ser humano!’.
O diálogo com Shin’ichi tornou-se o último do grande historiador Arnold Toynbee. Ele devotou toda a energia de sua vida para deixar a gema de sua filosofia para iluminar um futuro de paz. E o mundo estava focalizando a atenção nessa obra.”

Fotografar o dia a dia

Fotografar o dia a dia


Gosto de tirar fotos de lugares por onde ando e de objetos do meu dia a dia. Sempre fico atento para encontrar um ângulo em que a composição fique simétrica.
No Japão, as estações vêm e vão com uma pontualidade impressionante. Além disso, cada uma delas é muito bem-definida.
Em novembro do ano passado, fiz uma trilha ao redor das famosas montanhas de Yamadera para apreciar o kouyou, fenômeno da natureza no qual ocorre mudanças na coloração das folhas antes de caírem durante o outono. As cores alternam do verde, amarelo, laranja, chegando ao vermelho. Muitas pessoas aproveitam o outono para fotografar e fazer excursões às montanhas para admirar as folhas de momiji [árvore que chama a atenção pela coloração das folhas].
Viajar e tirar fotos dos lugares, além de criar recordações, é um exercício de reflexão. Tento apreciar as paisagens e prestar atenção aos pequenos detalhes, sempre buscando inspirações e referências. Gosto de fotografar, pois isso me dá inspiração e motivação.
Na época da faculdade, curtia muito as aulas de fotografia e procurava cada vez mais aprender sobre esse universo. Andava com minha câmera para todos os cantos para registrar momentos. Com a correria do dia a dia, trabalho e estudo, carregar a câmera todos os dias ficou um pouco inconveniente. Com a chegada dos smartphones há três anos, criei o costume de tirar fotos do meu dia a dia com a câmera do celular. Para mim, esse exercício diário ajuda a treinar meu olhar e minha criatividade. O mais divertido é usar essa limitação das câmeras de smartphones a seu favor e conseguir tirar uma bela foto.
É a criatividade que nos move a pensar soluções, criar alternativas e percorrer caminhos que modificam nosso presente e nosso futuro. Decidi me desafiar a tirar fotos diariamente. Comecei no Metrô durante o caminho para o trabalho. Geralmente são fotos dentro dos vagões, centralizadas e o mais simétrico possível, o desafio é achar esse ângulo perfeito em meio a correria e agitação do cotidiano.
Nossa vida pode se transformar numa rotina e tudo ao redor se torna normal ou imperceptível. Fotografar meu dia a dia fez com que eu ampliasse meu campo de visão e sempre buscasse enxergar o que está acontecendo à minha volta.
Helder makoto saito
25 anos, designer gráfico formado pela Faculdade Belas Artes, SP.
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Destaque: montanhas de Yamadera, Yamagata, Japão; abaixo: linha 3-vermelha do Metrô e Minhocão, São Paulo