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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O oferecimento do bolo de lama

O oferecimento do bolo de lama


Certo dia, o buda Shakyamuni e um de seus discípulos dirigiram-se a Rajagriha, capital de Magadha, um dos reinos da Índia antiga. Andando pela cidade, o Buda encontrou dois meninos chamados Tokusho Doji e Muso Doji. Os garotos brincavam animadamente com a lama quando viram Shakyamuni.
Feliz, Tokusho exclamou:
- Que boa sorte podermos encontrar o Buda!
As crianças tinham uma fé pura e genuína e desejavam oferecer-lhe algo.
- Oh, não tenho nada de valor para oferecer ao Buda - disse Musho Doji, desapontado.
- Eu também no momento não tenho nada em mãos.
Tokusho teve uma ideia. Num instante moldou um bolo de lama e o ofereceu ao Buda, enquanto Musho Doji juntou as mãos prestando-lhe sincera reverência.
Como benefício resultante desses oferecimentos, Tokusho Doji renasceu como rei Asoka, e Musho Doji, como sua esposa. Essa história nos ensina que a fé sincera e a gratidão são fontes de imensuráveis benefícios.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O elefante embriagado

O elefante embriagado


O buda Shakyamuni tinha um primo chamado Devadatta que o invejava e, por isso, tentava destruí-lo.
Certa vez, quando Shakyamuni e seus quinhentos discípulos estavam no castelo Raetsu, Devadatta convenceu o rei Ajase a participar de um plano para matar o Buda. Eles providenciaram para que o feroz elefante chamado Naguiri fosse preso, embriagado e solto no momento em que Shakyamuni estivesse passando pela rua.
O rei ordenou então que a população não saísse de casa na manhã seguinte. No entanto, algumas pessoas souberam da conspiração e alertaram o Buda.
Shakyamuni acalmou-o dizendo que nada de mal lhe aconteceria. No dia seguinte ele se dirigiu ao castelo do rei acompanhado de seus discípulos.
Quando o Buda se aproximou do castelo, o rei ordenou que o elefante fosse libertado. Segurando uma espada em sua tromba, o elefante, fora de si, avançou em direção a Shakyamuni e todos os discípulos fugiram apavorados, exceto Anan.
As pessoas ficaram admiradas quando o elefante, tocado pela magnificência e benevolência do Buda parou de repente, ajoelhou-se diante dele e deixou cair a espada de sua tromba. E, assim Devadatta e o rei Ajase fracassaram em sua tentativa de matar Shakyamuni.
Conclusão
Essa história mostra a extraordinária benevolência e inabalável condição do buda Shakyamuni. Da mesma forma, nós, praticantes do budismo, podemos evidenciar uma elevada condição de vida capaz de transformar tudo ao nosso redor.

A mulher pobre e a lamparina

A mulher pobre e a lamparina


soka gakkai

Na Índia antiga existia um reino chamado Magadha, cujo soberano era Ajatashatru. Ele ofereceu ao Buda centenas de carroças carregadas de potes com óleo de linhança.
Ao saber disso, uma mulher pobre também desejou oferecer algo ao Buda. Ela decidiu cortar seus longos cabelos e vendê-los para trocar por óleo, o suficiente para manter uma lamparina acesa por metade da noite.
Um forte vendaval surpreendeu o reino naquela noite. Todas as lamparinas se apagaram, exceto a da mulher pobre. A luz, em vez de enfraquecer, tornou-se cada vez mais forte.
Então, Shakyamuni disse que no futuro a mulher certamente se tornaria buda. Ouvindo isso, o rei Ajatashatru ficou furioso, pois ele havia oferecido ao Buda uma quantia dez mil vezes maior de óleo do que a mulher pobre.
Conclusão
Esta parábola ensina que dentre todos os tipos de oferecimentos, aquele que é feito com sinceridade é o que possui o maior valor. Apesar do oferecimento simples da mulher, o Buda percebeu sua fé pura e sincera. Mas o rei, muito arrogante, quis apenas impressionar o Buda.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Lorde Taishaku

Lorde Taishaku


Há muito tempo, as tropas do lorde Taishaku lutaram contra o exército do demônio Asura. A batalha tornou-se favorável a Asura e as tropas do lorde Taishaku foram obrigadas a recuar. Elas se depararam com um caminho montanhoso aos pés do Monte Sumeru. Foi quando os soldados acharam um ninho de um pássaro raro de esplêndidas asas. Dentro dele havia um filhote a chilrear.
- Se continuarmos neste caminho, mataremos o passarinho! - disse lorde Taishaku.
- Mas os soldados de Asura estão se aproximando! - disse um dos soldados.
- Vamos enfrentá-los; não mataremos o pássaro! - disse lorde Taishaku.
Nesse momento crucial, lorde Taishaku tomou a decisão e, apesar de atônitos, os soldados obedeceram a ordem.
Quando os homens de Asura viram os inimigos avançando em sua direção, fugiram de medo.
Assim, a vitória de Asura, tida como certa, transformou-se em derrota.
- Fomos enganados! Tudo isso era um plano do esperto lorde Taishaku! Corram! - disseram os homens de Asura.
Asura e seus soldados refugiaram-se em seu quartel-general. Desse modo, lorde Taishaku anunciou sua vitória.
Conclusão
Na mitologia hindu, asura é um tipo de demônio violento por natureza e que luta constantemente com o lorde Taishaku, um dos deuses protetores do budismo. Nichiren Daishonin afirmou que os indivíduos arrogantes se amedrontam ao encontrarem um poderoso adversário. Diante de um verdadeiro devoto do Sutra do Lótus, os asura se apavoram ao imaginarem que sua máscara de integridade e devoção à fé seja destruída, e por isso tratam os devotos com hostilidade.

A tartaruga de um único olho

A tartaruga de um único olho


Nas profundezas do oceano vivia uma milenar e solitária tartaruga. Já não conseguia nadar muito bem e, ainda por cima, tinha um olho só. Para ela, objetos próximos pareciam estar distantes, e os que estavam longe a iludiam, parecendo próximos.
As duas coisas que ela mais desejava na vida eram: aquecer suas costas tão frias nos raios do sol e refrescar sua barriga que queimava como uma brasa. Como satisfazer tais desejos?
Se ela fosse para uma região tropical, talvez pudesse aliviar o frio de suas costas, mas sua barriga seria devorada pelo calor. Se fosse para os polos, com certeza esfriaria sua barriga, mas suas costas seriam congeladas.
O mar, que era sábio e nunca ficava parado, soprou-lhe a seguinte solução: “Você deve procurar um tronco de sândalo vermelho flutuante. Ele deve ter no meio uma cavidade de tamanho médio. Suba nele e coloque a barriga na abertura para poder flutuar nas águas. Se assim o fizer, suas costas serão aquecidas pelo sol e, ao mesmo tempo, o suor de sua barriga escorrerá pela abertura da madeira. A madeira do sândalo é a única que possui esse poder místico”.
A tarefa não era fácil. Se encontrar um pedaço tão nobre de madeira boiando já seria difícil, o que dizer de um sândalo com aquelas características em meio ao grande oceano? Deveria ser vermelho e ter uma abertura de tamanho exato. Além disso, devido às suas dificuldades de locomoção e a ausência de corrente marítima adequada, ela só poderia flutuar até a superfície a cada mil anos, e logo voltaria a submergir para o fundo do oceano. E se isso não bastasse, sua única e fraca visão tornava as coisas mais difíceis ainda.
Algumas vezes vislumbrava um tronco qualquer e nadava em sua direção, e descobria que fora enganada pela sua debilitada visão. O tronco sempre estava mais distante do que imaginara, e por vezes ela o buscava pela direita enquanto, na verdade, ele flutuava pela esquerda, Chegou a topar com vários troncos em sua busca esperançosa, mas eram simples galhos de outras árvores e não o sândalo de que precisava.
Um dia, como que por magia, viu um pedaço de madeira de sândalo bailando sobre as ondas do mar. Lançou-se em direção a ele com o coração saltando de alegria. Era vermelho e havia um buraco nele. Pensou: “Estou salva, minha busca chegou ao fim”.
Sua alegria durou pouco. Logo percebeu que, embora houvesse uma pequena depressão na madeira, não havia uma abertura como imaginava. Sua visão a havia enganado mais uma vez. Tentou de todas as formas fazer um furo no sândalo, mas ele era duro demais.
Exausta e já sem forças soltou-se do tronco, que agora em direção oposta. Era muita tristeza e suas lágrimas confundiam-se com as águas do mar.
Conclusão
No escrito A Tartaruga de Um Olho e o Tronco Flutuante, o buda Nichiren Daishonin menciona essa história citada no 27o capítulo do Sutra do Lótus, "Rei Adorno Magnífico", para ilustrar quanto é raro encontrar o Sutra do Lótus e, mais ainda, encontrar o Nam-myoho-renge‑kyo, ao mesmo tempo em que mostra a nossa boa sorte em praticar o budismo.
O oceano representa o mar dos sofrimentos do nascimento e da morte, e a tartaruga, os seres vivos; a falta de nadadeiras ilustra a falta de boa sorte; o calor de seu ventre representa os oito infernos escaldantes aos quais somos levados pela nossa ira e pelos ressentimentos; o frio de seu dorso, os oito infernos gelados que resultam de nossa cobiça e ganância; sua permanência no fundo do oceano indica que caímos nos "três maus caminhos" e que não podemos emergir facilmente.
Sua ascensão à superfície somente uma vez a cada mil anos ilustra a dificuldade de emergir desses caminhos e o nascer como ser humano; o fato de o tronco de sândalo ser difícil de encontrar representa que é fácil encontrar os outros sutras e difícil encontrar o Sutra do Lótus. E, mesmo que a tartaruga encontrasse um tronco de sândalo flutuante, encontrar um com uma abertura adequada seria ainda mais difícil. Isso significa que, mesmo que alguém encontre o Sutra do Lótus, é raro vir a recitar Nam-myoho-renge-kyo.

Parábola do excelente médico e seus filhos enfermos

Parábola do excelente médico e seus filhos enfermos


Havia um médico muito habilidoso que sabia como preparar remédios para curar eficazmente todos os tipos de doenças. Ele tinha muitos filhos, talvez dez, vinte ou até mesmo cem.
Um dia ele viajou a uma terra distante para tratar de determinado assunto. Em sua ausência, seus filhos beberam veneno por engano, o que os fez enlouquecer e se contorcer de dor. Quando o pai retornou para casa, percebeu que eles tinham tomado veneno. Alguns haviam perdido totalmente a razão. Ao notarem que o pai retornara de tão longe, felizes, os filhos o abraçam.
– Que bom que está aqui a salvo. Fomos estúpidos ao tomar veneno por engano. Suplicamos que nos cure! – implorou um
dos filhos.
O pai começou a preparar vários remédios. Colheu excelentes ervas medicinais que reúnem todas as qualidades de cor, fragrância e sabor. Ele então as moeu, peneirou e misturou. Ofereceu uma dose para os filhos e lhes disse:
– Este é um remédio altamente benéfico que reúne todas as qualidades de cor, fragrância e sabor. Tomem-no e irão se sentir rapidamente aliviados de seus sofrimentos e livres de todos os males.
As crianças que ainda estavam com a mente sã, compreendendo que se tratava de um remédio excelente, tomaram‑no. Pelo fato de o beberem rapidamente, conseguiram se curar por completo da enfermidade. As que haviam perdido a razão recusaram‑se a tomar o remédio. O veneno tinha penetrado profundamente e a mente delas já não raciocinava. Embora o remédio tivesse excelente cor e fragrância, elas não perceberam o bem que ele podia lhes fazer.
O pai pensou: “Meus pobres filhos! O veneno ingerido afetou a mente deles por completo. Apesar de estarem felizes por me ver e de me pedirem que os cure, recusam‑se a tomar
este excelente remédio. Agora terei de
recorrer a algum meio para que eles tomem o remédio. Devem tomá-lo sem se preocupar
se fará efeito”.
Partiu e então, algum tempo depois, enviou um mensageiro à sua casa dizendo a seus filhos que infelizmente ele havia falecido.
Os filhos, tomados pela dor, pensaram: “Se nosso pai ainda estivesse vivo, teria compaixão de nós e faria algo para nos ajudar. Porém, ele morreu e agora estamos órfãos, desprotegidos
e não temos ninguém em quem confiar!”.
Sentido essa profunda angústia, por fim recobraram a razão e compreenderam que
o remédio de fato tem excelente cor,
fragrância e sabor. As crianças tomaram o remédio, sendo portanto curadas de todos os efeitos do veneno.
O pai, ao saber da cura dos filhos, regressa imediatamente para casa.
Conclusão
A parábola do excelente médico e seus
filhos enfermos é uma dentre as sete descritas no Sutra do Lótus1 e mostra a preocupação
do bom médico (o Buda) em transmitir o
valor do remédio (ensinamento budista)
aos filhos (pessoas comuns) mesmo após
seu falecimento.
O mensageiro desempenha papel fundamental, pois se não fosse por ele os filhos doentes não teriam sido salvos. Nichiren Daishonin disse: "O 'Mensageiro', em nossa época, refere-se aos bodisatvas da terra que aparecerão no começo dos Últimos Dias da Lei".2 Ele representa os emissários do Buda, ou seja, aqueles que propagam os ensinamentos budistas cheios de esperança em uma época conturbada. Nós somos os bodisatvas da terra que propagam o budismo, principalmente para aquelas que se encontram em meio a grandes sofrimentos.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Parábola da joia escondida no manto

Parábola da joia escondida no manto

R10, Edição 167, 07/11/2015, pág. 22/23 / Histórias Budistas
Certa vez um hospedeiro recebeu a visita de um amigo de longa data. O visitante que era um andarilho dos mais viajados olhou com carinho seu hospedeiro. Os dois eram amigos muito íntimos, mas o tempo, o trabalho e outros assuntos mundanos, aos poucos, os havia separado.
Enfim a distância terminou e os dois felizes companheiros celebraram o reencontro com uma refeição suntuosa e muito vinho. Passaram o dia em alegria, mas, agora que a noite chegara, o visitante estava tão embriagado pelo vinho que a única coisa a fazer era fechar os olhos e dormir profundamente.
Enquanto o visitante descansava pesadamente, o hospedeiro teve de atender um importante e inadiável chamado. Não havia maneira de recusar e, embora triste por ter de abandonar o amigo, decidiu partir imediatamente para a missão. Antes, porém, preocupado com o bem-estar do seu amigo, escolheu sua joia mais preciosa e costurou-a sob o manto do amigo.
Pensou: “Quando ele acordar pela manhã, certamente ainda estará bem sonolento. Verá que eu tive de partir e ficará desapontado. Porém, quando vir esta preciosa joia compreenderá que, a despeito da minha rude e apressada partida, eu o amo profundamente e lhe desejo o melhor. Colocando a joia sob sua roupa ele a levará sem falha. Se a colocar em outro lugar talvez ele não a perceba ou a esqueça”.
Pela manhã, o visitante, ainda "grogue",
olhou em volta e ficou desapontado por não ver o amigo. Com pesar, colocou a roupa e foi seguindo seu caminho sem perceber a joia escondida em seu manto. Por muito tempo vagou percorrendo estradas arenosas e inúmeros países numa constante luta pela sobrevivência. Trabalhou duramente sem a mínima ideia da riqueza que levava consigo.
Um dia os dois amigos se encontraram novamente. O hospedeiro ficou chocado com a aparência do amigo e perguntou‑lhe com compaixão:
“Por que você se tornou tão pobre e miserável? Quando me visitou eu costurei a mais preciosa das joias nas dobras de sua roupa, de modo que pudesse viver uma vida digna. E mesmo assim tem levado esta vida miserável? Deve usar imediatamente essa joia e mudar sua condição de vida. Então terá tudo que almeja”.
Pela primeira vez o visitante compreendeu o grande tesouro que seu amigo lhe havia dado. Seu ser iluminou-se de alegria e lágrimas deslizaram pela sua face.
Conclusão
O Sutra do Lótus utiliza parábolas com o intuito de facilitar a compreensão dos princípios budistas. Há sete mais representativas, dentre elas a Parábola da joia escondida no manto (cap. 8 do Sutra do Lótus, Profecia da Iluminação para Quinhentos Discípulos).
A joia de valor inestimável é uma metáfora da natureza de buda. O forro do manto representa as profundezas do nosso ser.
Em outras palavras, a parábola nos transmite o princípio de que o tesouro extremamente nobre da natureza de buda existe dentro de todos nós. O Sutra do Lótus é um ensinamento que nos possibilita despertar para o nosso estado de buda inerente e a conduzirmos uma vida feliz.
Na parábola, o despertar alegre é provocado pelo diálogo imbuído de amizade.

Parábola da cidade imaginária e a terra do tesouro

Parábola da cidade imaginária e a terra do tesouro


3soka gakkai

Um grupo de viajantes, ao ouvir falar de uma cidade repleta de tesouros, decide encontrá-la, ciente de que será uma difícil jornada.
Para chegar até essa cidade, eles terão de percorrer uma estrada extremamente longa e perigosa, atravessando desertos, florestas e terras hostis. Nenhum trecho da estrada é seguro e eles deverão ser corajosos e muito persistentes se quiserem chegar ao destino.
Após atravessarem densa e obscura floresta, já completando metade do trajeto são avisados pelo guia, aquele que conhece bem o caminho, que terão um deserto escaldante pela frente. O sol e as fortes tempestades de areia não serão fáceis de ultrapassar.
O deserto e suas surpresas provam ser demais para eles. Os viajantes estão tão exaustos que começam a fraquejar, perdem a coragem e já pensam em desistir de todos os valiosos tesouros almejados. Desejam agora a segurança e o conforto do lar, o habitat que haviam abandonado.
O guia, porém, está determinado a conduzir os viajantes até a cidade dos tesouros. Quer levar todos, não importando o que precise fazer para realizar seu intento. Usa então de meios hábeis e poderes místicos, fazendo aparecer uma cidade fantástica no meio do deserto.
Num instante, os viajantes contemplam aquele espetáculo: um lindo e refrescante oásis, repleto de árvores verdejantes, por entre as quais se pode vislumbrar uma cidade. Com alegria e entusiasmo correm até ela.
Todo o cansaço, as dores nas pernas e o desânimo desaparecem como mágica dando lugar à esperança e ao otimismo. Banham-se e saboreiam deliciosas comidas. Depois descansam e dormem tranquilamente. Já não se cogita mais o retorno para casa.
Quando despertam, ficam estarrecidos ao ouvirem o guia lhes dizendo que teriam de abandonar aquele lugar maravilhoso e seguir a viagem.
— Mas este é o paraíso que procurávamos! — exclama um deles.
O guia decididamente diz que não, que ainda estavam no meio da jornada. Foi só uma parada para descanso e fortalecimento.
— Acreditem — diz o guia — o destino final é muito mais belo do que esta cidade e não está tão longe. Agora que todos estão revigorados, vamos continuar.
Ao dizer isso, seguiram em frente e a cidade desapareceu como se fosse mais um grão de areia.
Conclusão
Esta é uma das sete parábolas mais representativas descritas no Sutra do Lótus, capítulo 7, "Parábola da Cidade Imaginária".
A cidade imaginária se refere ao ensinamento dos três veículos (estados de erudição, autorrealização e bodisatva). Por mais que estes sejam estados de vida elevados, ainda são apenas um meio pelo qual se pode atingir o estado de buda, que representa a terra do tesouro. Por mais que quisessem ficar na cidade imaginária, conseguiriam chegar apenas se superassem a ilusão e persistissem no caminho para essa terra do tesouro.
O presidente Ikeda diz: “Precisamos desafiar a nós mesmos com seriedade e firmeza para atingirmos nossos objetivos. Com a determinação de superar todos os obstáculos, devemos avançar abrindo caminhos. Mais tarde, quando olharmos para trás, veremos que esses momentos, embora talvez difíceis, foram de fato os mais significativos e recompensadores de nossa vida. Eles serão um tesouro de memórias douradas, cenas grandiosas no eterno drama de nossa vida pelas 'três existências' — passado, presente e futuro”.1
A verdadeira felicidade só pode ser alcançada com dedicação e perseverança somadas à sincera prática da fé

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Parábola dos três tipos de ervas medicinais e os dois tipos de árvores

Parábola dos três tipos de ervas medicinais e os dois tipos de árvores


Na natureza há muitas espécies de flores, árvores e ervas, diferentes em tamanho, forma e denominação.
Elas crescem em montanhas, bosques, próximo aos rios, vales e diferentes tipos
de solos.
No céu, uma densa nuvem surge se espalhando pelo planeta, fazendo a
chuva cobrir todas as partes.
A água penetra no solo, é absorvida
pelas plantas de todos os lugares, que
são nutridas e crescem.
A chuva é imparcial, mas as plantas recebem umidade conforme sua natureza e crescem de acordo com sua espécie.
Embora as árvores e as ervas sejam diversificadas em tamanho e em natureza, suas raízes, ramos, galhos, folhas, botões e frutos crescem graças à mesma chuva.
Conclusão
Nesta breve parábola, Shakyamuni mostra a benevolência imparcial do Buda ao transmitir seus ensinamentos igualmente a todas as pessoas. É como a vasta nuvem que envolve o mundo inteiro, oferecendo água para todo tipo de vegetação.
As pessoas, assim como as plantas, são diferentes umas das outras. Cada qual com sua individualidade e envolta por uma realidade diferente. Porém, o Gohonzon é igual para todos. Ao recitarem daimoku diante do Gohonzon, são capazes de desfrutar dos benefícios da prática budista, assim como a chuva nutre e faz as plantas crescerem.

Parábola da joia inestimável escondida no topete

Parábola da joia inestimável escondida no topete


Na Índia antiga havia um poderoso e sábio rei girador da roda que desejava usar seu poder para subjugar outros países, mas os reis menores mesquinhos não acataram suas ordens.
O rei girador de roda então mobilizou suas várias tropas a avançar para atacá‑los. Quando o rei via alguma de suas forças de combate ganhando destaque em batalha, ele ficava muito satisfeito e imediatamente recompensava as pessoas de acordo com seus méritos. Distribuia campos, casas, povoados e cidades; ou vestes e adornos pessoais; ou talvez vários objetos preciosos como ouro, prata, lápis‑lazúli, madrepérola, ágata, coral, âmbar, elefantes, cavalos, carruagens e até empregados.
Mesmo abrindo mão de tantas riquezas, havia uma joia da qual ele não se desprenderia. Ela ficava escondida em seu topete e não era entregue a ninguém. Por que não? Somente um rei pode ostentar essa joia no topo de sua cabeça. Se ele a desse, seguramente os seguidores do rei ficariam atônitos.
Em certa batalha, o rei girador de roda viu alguém entre seus soldados ganhando verdadeira distinção. O rei ficou com o coração tão feliz que entregou então a preciosa joia que há tempos ostentava
no topete.
O Sutra do Lótus é supremo dentre os ensinamentos. Em meio a todos os ensinamentos, ele é o mais profundo e somente é concedido em última instância, como é o caso daquela joia que o poderoso rei há muito a detém e finalmente a concede. Dentre todos os sutras ele é o mais elevado.
Reis giradores da roda
Também conhecidos como "reis veneráveis giradores da roda". Na mitologia hindu representam um governante ideal. No budismo, um rei que governa por meio da justiça, não pela força. Quando um sábio governante ascende ao trono, acredita-se que o céu envia-lhe uma roda. Enquanto gira a roda, esse rei avança livremente e estabelece a paz. Conta-se que possuíam os trinta e dois aspectos característicos de um buda e governavam os quatro continentes girando as rodas que haviam recebido do céu. As rodas eram feitas de ouro, prata, cobre e ferro. Cada um dos quatro reis, em cada continente, possuía uma dessas quatro rodas.
Conclusão
A Parábola da joia inestimável escondida no topete está presente no 14o capítulo do Sutra do Lótus ("Práticas Pacíficas").
Ela narra sobre os oferecimentos do rei girador da roda para aqueles que conquistavam o mérito nas batalhas. No entanto, a joia de insuperável valor escondida no seu topete ele não a oferecia para ninguém. Compara-se ao fato de o Buda ter pregado todos os sutras, exceto o Sutra do Lótus. Porém, o fato de Shakyamuni expor o Sutra do Lótus neste momento é como se o rei girador da roda oferecesse a joia inestimável escondida no seu topete.
Assim, nessa parábola, a joia escondida no topete corresponde ao Sutra do Lótus; o fato de esconder a joia no topete, sem oferecê‑la para ninguém, exemplifica a ação do Buda em ocultar o verdadeiro ensinamento durante todo o período em que foram pregados os ensinamentos provisórios, anteriores ao Sutra do Lótus, até que chegasse o tempo ideal para revelar o ensinamento verdadeiro.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Filha do rei dragão

Filha do rei dragão


No fundo do mar havia um palácio habitado por oito reis dragões. Certo dia, um grande bodisatva chamado Manjushri visitou esse palácio e pregou o Sutra do Lótus. Em seu movimento de propagação, converteu inúmeras criaturas.
Em uma de suas pregações, uma menina‑dragão, de apenas 8 anos, estava presente. Era filha de Sagaga, um dos oito reis dragões. Depois de ouvir o Sutra do Lótus, ela atingiu imediatamente a iluminação suprema.
Esse fato não se refere a um feito individual ou exclusivo da filha do rei dragão, mas mostra que todas as mulheres não só podem atingir o estado de buda na forma em que se apresenta — isto é, sem mudar o aspecto físico —, como também abre o caminho do estado de buda para as mulheres das eras posteriores.
Após esse maravilhoso feito, a filha do rei dragão recitou o seguinte verso em louvor ao Buda: “Revelo as doutrinas do grande veículo para resgatar os seres vivos do sofrimento”.1 Seu juramento foi reforçado por todos do seu grupo, criaturas conhecidas como dragões, cujo número é tão vasto que “a boca é incapaz de expressar, e a mente é incapaz de compreender”.2
O rei dragão Sagara, apesar de ser uma criatura inferior, demonstrava profunda dedicação à filha. Por isso, ele mandou buscar o tesouro mais precioso de todo o oceano, a joia da realização dos desejos, e pediu à menina que o levasse ao Buda como oferecimento em gratidão pelo fato de ela ter atingido o estado de buda da forma como era.
Mais tarde, ela se apresentou diante da assembleia do Sutra do Lótus. Lá, dois bodisatvas, Sabedoria Acumulada e Shariputra, afirmaram que as mulheres eram incapazes de atingir a iluminação. Nesse mesmo instante, a filha do rei dragão manifestou o estado de buda sem abandonar sua forma de réptil.
Diante dessa prova real, os bodisatvas passaram a compreender sobre a iluminação da menina-dragão.
Entenda melhor
O capítulo “Devadatta” do Sutra do Lótus conta a história da filha do rei dragão, que atingiu imediatamente a iluminação suprema por meio do poder desse sutra a fim de explicar que todas as pessoas são capazes de atingir a iluminação.
E no escrito A Oração consta: “Por essa razão, Miaole faz a seguinte observação sobre esse acontecimento: ‘aqui o sutra expressa seu poder ao revelar que a prática é superficial, mas o benefício resultante é realmente profundo’. E pelo fato de a menina‑dragão ter atingido o estado de buda por meio desse sutra, como ela poderia abandonar um praticante do Sutra do Lótus, ainda que não tivesse sido advertida pelo Buda”.3
Dessa forma, em gratidão ao grande benefício da iluminação, a menina-dragão faz o seu juramento de propagar a Lei Mística a todas as pessoas.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O menino Montanhas de Neve

soka gakkai



O menino Montanhas de Neve


Há muito tempo, viveu um menino chamado Montanhas de Neve. Apesar de ter aprendido todos os ensinamentos não budistas, ainda lhe faltava conhecer o budismo. Então, um dia, ouviu um demônio recitar um verso que começava assim:
— Tudo é mutável; nada é permanente — esta é a lei de nascimento e morte.
No entanto, o demônio recitou apenas os primeiros oito ideogramas do verso, omitindo o resto. Apesar de ter ficado feliz, o menino se sentiu e como se tivesse ganho somente metade de uma joia da realização dos desejos. Quando pediu para ouvir os oito ideogramas restantes, o demônio respondeu:
— Não me alimento há vários dias. Estou fraco demais para recitar os oito ideogramas restantes. Primeiro, dê-me algo para comer!
— O que você come? — perguntou o menino.
— Alimento-me de carne e sangue frescos de seres humanos. Porém, eles estão protegidos pelas divindades celestiais; por isso, não posso matá-los, a menos que cometam o mal — respondeu o demônio.
Decidido, o menino Montanhas de Neve declarou:
— Oferecerei meu corpo. Em troca, recite os oito ideogramas restantes para que eu possa registrar o ensinamento na totalidade.
— Você é esperto. Com certeza, está tentando me enganar — retrucou o demônio.
— Se eu morrer sem propósito, meu corpo será devorado por abutres e isso não me trará o menor benefício. Porém, se eu sacrificar a vida pelos oito ideogramas restantes, será como trocar esterco por alimento — respondeu Montanhas de Neve.
O demônio ainda não estava convencido.
— Há quem confirme minha honestidade. Invoco o grande rei celestial Brahma, a divindade celestial Shakra, os deuses do Sol e da Lua e os quatro reis celestiais para serem minhas testemunhas — garantiu o menino.
Finalmente o demônio aceitou revelar a segunda metade do verso e começou a recitar:
— Ao extinguirmos o ciclo de nascimento e morte, entramos na alegria do nirvana.
Quando o menino aprendeu o verso completo, inscreveu-o no tronco das árvores e nas rochas. Cumprida a tarefa, atirou-se em direção à boca do demônio.
Nesse instante, o demônio revelou ser a divindade celestial protetora Shakra, disfarçada de demônio. Ele segurou o menino e o colocou devagar no chão observando o grande espírito de devoção dele à Lei budista.
Entenda melhor
Esta história é citada pelo buda Nichiren Daishonin no escrito Carta para a Venerável Nichimyo. No início dessa carta, ele cita sete histórias a respeito das práticas de bodisatva conduzidas pelo buda Shakyamuni em existências passadas, entre elas a história do menino Montanhas de Neve.
Daishonin utiliza esta parábola para mostrar a grandiosidade do espírito de procura e da sinceridade da prática. Ele ensina que o caminho para fazer as outras pessoas felizes é o caminho para a nossa própria iluminação.
Daishonin declara: “Conforme o grande mestre Zhangan afirmou: ‘As escolhas devem ser adequadas [ao tempo] e jamais se restringir a um ou a outro [método]’” (Carta para a Venerável Nichimyo — CEND, v. I, p. 34).
O Nam-myoho-renge-kyo contém todos os benefícios que o buda Shakyamuni acumulou durante as inúmeras existências. Por isso, ao recitá‑lo podemos obter os mesmos benefícios que o próprio buda Shakyamuni obteve. Ou seja, uma pessoa comum pode se tornar buda.