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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Educação

Educação

Eu considero que a educação seja o empreendimento culminante da minha vida.
Isso porque a vitória da educação significa a vitória do povo. (Daisaku Ikeda)

Coordenadoria Educacional da BSGI

Com base neste princípio é que, em 1984, foi fundada a Coordenadoria Educacional da BSGI, quando da terceira visita do Presidente Ikeda ao Brasil. O objetivo: fazer aflorar valores humanos que atuem para o bem da sociedade, por meio de ações educativas dentro da BSGI que incentivem o trabalho voluntário dos educadores associados. Estes abnegados valores humanos, ao longo dos anos, vêm dedicando imensos esforços para impulsionar a transformação do sistema educacional no Brasil, mantendo em seus corações o ideal de alcançar o reconhecimento em esfera mundial da Educação Humanística base filosófica da SGI em todo o mundo.
“A educação deve proporcionar às pessoas o entendimento - em suas mentes, em seus corações e com todo o seu ser - o valor insubstituível dos seres humanos e do mundo natural. Acredito que essa educação encarna a luta intemporal da civilização humana para criar um caminho infalível para a paz”, enfatiza o dr. Daisaku Ikeda. Fundador do Sistema Educacional Soka – um conjunto de escolas desde o nível Infantil até a Pós-Graduação – o presidente da SGI tem um profundo respeito à educação, pois a considera fundamental para a construção de uma paz perene entre os povos, por meio de uma mudança social partindo de cada ser humano. Para tanto, promove diálogos, escritos e colaborações em diversas publicações do mundo, com o propósito de oferecer subsídios para uma educação direcionada a esses princípios.

PROGRAMA DA COORDENADORIA EDUCACIONAL

Seu principal objetivo é estimular a compreensão profunda de conceitos humanistas e o saber, fazendo emergir o potencial dos educadores escritores, por meio das seguintes ações:
  • Artigos, referências e indicações bibliográficas
  • Documentários (Eventos, Programas, Histórico, entre outros)
  • Materiais de Apoio Pedagógico (Apostilas, cartilhas, kits etc)
  • Atualmente, a Coordenadoria Educacional conta com quatro Departamentos:
  • 1. Departamento Makiguchi em Ação
  • 2. Depeduc – Departamento de Estudos e Práticas em Ciências da Educação
  • 3. Depehus – Departamento de Educação Humanista Soka
  • 4. Depohpe – Departamento de Orientação Humanista para Pais e Estudantes
  • MAKIGUCHI EM AÇÃO

    O objetivo: promover ações educativas para a criação de uma cultura de paz. Cada integrante do Departamento Makiguchi em Ação atua no Programa Ação Educativa Makiguchi, junto a professores da rede pública de ensino, com base na metodologia pedagógica que tem como foco o papel do tripé: escola, família e sociedade.
    Esta metodologia utiliza a linguagem artística como ferramenta estimuladora da capacidade criativa, para provocar a reflexão e a mudança de paradigmas sobre o processo de aquisição de conteúdos cognitivos no ambiente escolar. Este método auxilia na tarefa de ensinar e cultivar valores humanísticos, para uma educação de qualidade na qual a criança tenha a alegria como fonte inspiradora para sua aprendizagem, além de possibilitar ações impactantes que conduzam o educando para a construção de uma identidade saudável, gerando desenvolvimento educativo, cultural e econômico que traga prosperidade contínua, independente das adversidades.

    DEPEDUC – DEPARTAMENTO DE ESTUDOS E PRÁTICAS EM CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO

    Por meio de incentivo aos educadores, o Depeduc promove a divulgação da Educação Soka. O objetivo: tornar cada educador um protagonista de ações transformadoras e ser uma referência em fundamentos da educação humanista.
    Por meio de: atividades diferenciadas como pesquisa, disseminação do conhecimento, publicações, premiações das práticas educativas transformadoras, intercâmbios, palestras, dentre outras, criando laços com membros da BSGI/ SGI, da sociedade, no Brasil e no mundo.
    O DEPEDUC é formado por uma equipe de profissionais que atua em diversas áreas, tais como: Pedagogia, Psicopedagogia, Psicologia, Psicanálise, Ciências da informação e da comunicação, Arte-Educação, Biologia Cultural, dentre outras.

    DEPEHUS – Departamento de Educação Humanista Soka

    Durante os 20 primeiros anos de atuação o departamento alfabetizou cerca de oito mil pessoas em seus mais de 40 Pólos Educacionais espalhados pelo Brasil afora.
    Atualmente, são três as frentes de atuação do Depehus: Fundamental I e Fundamental II - Educação de Jovens e Adultos - EJA, com a missão de alfabetizar e/ou assegurar o regresso à vida acadêmica aos participantes sejam estes membros ou não membros da BSGI.
    A terceira das atividades empreendidas pelo Depehus é a Academia Magia da Leitura, programa voltado para a melhoria das habilidades de oralidade, leitura e escrita que atende desde o pós letramento até o pós doutorado. Todas as ações do departamento são gratuitas, abertas para a sociedade e realizadas por equipe voluntaria de profissionais da área da educação e membros da BSGI.

    DEPOHPE - Departamento de Orientação Humanista para Pais e Estudantes

    Novo Departamento da Coordenadoria Educacional, criado em 2015 com o objetivo de promover encontros dialógicos entre professores, pais e estudantes buscando conhecimentos, recursos e soluções que fortaleçam seus papéis como agentes transformadores e promotores da paz, formado pelos seguintes programas:
  • POPE – Programa de Orientação para Pais e Estudantes: Programa específico para dificuldades que aparecem na infância e adolescência, referente ao desenvolvimento bio-psico-social que interferem no ensino-aprendizagem. Comprende um processo de 8(oito) encontros com pais, filhos e profissionais da educação.
  • PAPF – Programa de Acolhimento para professores, pais e filhos: Plantão semanal a ser implantado em Escolas Públicas com o objetivo de atender professores, estudantes e pais, norteando assuntos emergentes, com duração aproximada de uma hora. Este plantão também se estenderá às Sedes Regionais para atender assuntos emergentes para professores, pais e estudantes.
  • Além dos programas apresentados, realizam também seminários semestrais com equipe multidisciplinar, abordando temas que envolvam a relação pais e filhos para a criação de valores humanos.

    FALE CONOSCO

    Para outras informações entre em contato com a Coordenadoria Educacional da BSGI por meio dos seguintes endereços eletrônicos:
  • educacional@bsgi.org.br
  • educ.secretaria@bsgi.org.br
  • educ.makiguchi@bsgi.org.br
  • educ.depohpe@bsgi.org.br
  • educ.depehus@bsgi.org.br
  • educ.depeduc@bsgi.org.br
  • educ.ambiental@bsgi.org.br
  • educ.publicacoes@bsgi.org.br
  • educ.planejamento@bsgi.org.br
  • educ.relacoespublicas@bsgi.org.br
  • Programas e projetos de valorização da vida

    Programas e projetos de valorização da vida

    “O mais importante é quando uma pessoa se
    desenvolve como ser humano. Treinar a si mesmo,
    polir a si próprio – nessa atitude se encontra o
    brilho de uma vida realmente primorosa.”
    (Daisaku Ikeda)
    A cidadania plena só pode ser obtida a partir da superação dos limites impostos pelas contradições sócio-econômicas que impedem o livre acesso à educação e à arte o que causa uma imensa lacuna na formação integral da população. A cultura humana é a mais sublime expressão de sua alma e deve ser forjada no sentido de valorizar a vida, sempre São desafios para este novo milênio proporcionar, não somente condições de acessibilidade aos bens culturais, mas também de conscientização quanto ao valor e a importância de sua identidade enquanto Nação.
    Há hoje uma crescente corrente de interesses pelas questões culturais, nas unversidades, na política e economia. E também – mas principalmente – no cotidiano das sociedades que clamam por um novo paradigma. Isso porque trata-se de uma questão que abarca tudo o que se refere à noção de mundo e do que significa respeito e dignidade humana. Não há forma melhor de fomentar a inclusão social do que por meio da educação baseada no humanismo.
    Os projetos culturais da BSGI têm como premissa a valorização daquilo que cada ser humano tem de melhor: sua capacidade de se reinventar e de traduzir o que pensa e sente por meio de sua criatividade. Cada grupo tem como objetivo a lapidação das jóias internas de seus integrantes de forma a surgirem daí, brilhantes seres humanos, cidadãos cônscios de sua responsabilidade enquanto partícipes da sociedade em que vivem. Os projetos culturais da BSGI divididos por áreas:

    1. Educação

  • Núcleo Educacional
    • Departamento de Educação Humanista Soka – Depehus
    • Departamento Makiguchi em Ação
    • Departamento de Estudos e Práticas em Ciências da Educação – Depeduc

    2. Exposições

  • Sementes da Esperança
  • Sementes da Mudança
  • Desenhos das Crianças do Brasil e do Mundo
  • Gandhi, King, Ikeda
  • Sutra de Lótus
  • Diálogos pela Vida
  • Diálogos com a Natureza
  • Direitos Humanos, Direitos de Todos
  • Convivência e Esperança
  • Eternos Tesouros do Japão
  • 3. Artes

  • Núcleo de Artistas – feminino e masculino de todas as faixas etárias. Composto por profissionais das artes (atores, musicistas, bailarinos, artistas plásticos, escritores e poetas, cineastas, fotógrafos).
  • Nova Era Kotekitai – banda musical feminino jovem (outros núcleos deste mesmo projeto)
    • Pompom
    • Junior
  • Taiyo Ongakutai – banda musical masculino jovem (outros núcleos deste mesmo projeto)
    • Coreográfico
    • conjunto The Sun
  • Soka Yusou Daiko - departamento de Taiko masculino e feminino jovem
  • banda musical Girassol – feminino
  • OFBHI – Orquestra Filarmônica Brasileira do Humanismo Ikeda – feminino e masculino (outros núcleos deste mesmo projeto)
    • Camerata de Cordas
    • Quinteto de Metais
    • Núcleo de Desenvolvimento para a Orquestra
  • Coral Filmarmônico Ikeda do Brasil
  • grupo de dança Taiga – feminino jovem
  • grupo de dança Fukuchi – feminino
  • coral Esperança do Mundo – infantil e juvenil
  • coral Lírio – feminino
  • coral Uirapuru – masculino
  • 4. Saúde e bem estar

  • Núcleo de Saúde – feminino e masculino de todas as idades (profissionais da área da saúde: médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, arteterapeutas, enfermeiros etc)
  • Núcleo de Esportistas – feminino e masculino de todas as idades (profissionais da área esportiva)
  • 5. Ciências

  • Núcleo de Cientistas – feminino e masculino de todas as idades (estudiosos, pesquisadores e acadêmicos de todas as áreas do conhecimento humano)
  • Núcleo de Bioética – feminino e masculino de todas as idades (profissionais envolvidos com essa área de estudo)
  • Núcleo de Estudos em Filosofia – feminino e masculino de todas as idades
  • 6. Humanismo

  • Núcleo de Juristas – feminino e masculino de todas as idades (profissionais da área jurídica)
  • Núcleo de Comunicação – feminino e masculino de todas as idades (profissionais da área da comunicação social: jornalistas, publicitários, radialistas, relações públicas, designers gráficos etc)
  • Núcleo de Executivos – feminino e masculino de todas as idades (empresários e executivos de todas as áreas)
  • Cerejeira – feminino jovem (preparação, organização e logística de eventos)
  • Sokahan – masculino jovem (preparação, organização e logística de eventos)
  • Pérola – feminino (preparação, organização e logística de eventos)
  • Gajokai – masculino jovem (segurança e proteção)
  • Mamoru – feminino e masculino de todas as idades (limpeza e preparação de locais)
  • Myo-On – masculino jovem (sonoplastia, iluminação, multimídia)
  • Ohrin – masculino jovem (transporte de pessoas e equipamento)
  • Sumirê – feminino (transporte de pessoas e equipamento)
  • Arco Íris – feminino jovem (comunicação, tradução e intérpretes)
  • Web da Paz – feminino (comunicação interna)
  • Tradutoras e Intérpretes – feminino
  • Flora – feminino jovem (jardinagem e preservação ambiental)
  • Flores do Campestre – feminino (jardinagem e preservação ambiental)
  • Kahô – feminino (ornamentação)
  • Taiyo – feminino (preparo de refeições e lanches)
  • Cada núcleo/grupo atua dentro de suas áreas promovendo atividades voltados a ações específicas para o desenvolvimento de cada associado com base na Filosofia Humanística de Cultura de Paz da Soka Gakkai.

    Dessa forma, uma complexa teia de integração vai sendo tecida, espargindo suas sementes pela sociedade e reverberando por todo o conjunto de mais de 150 mil associados espalhados por todos os cantos e recantos deste imenso país.

    Interdependência da pessoa e seu meio

    Interdependência da pessoa e seu meio

    “Sem o corpo não pode haver sombra. Analogamente, sem a vida, o ambiente não pode existir, embora a vida seja sustentada pelo seu ambiente.” (Nichiren Daishonin)

    Semear, espargir, espalhar, compartilhar. A ciência ainda busca explicação sobre tudo o que se refere à concepção e ao surgimento da vida. Tudo é muito simples, inicia-se com um encontro e vai se mesclando e fundindo, em sinergia contínua e sem fim. Nascimento, vida e morte mimetizam-se em ciclo constante, ininterrupto, de transformação que se propaga desde o início até o aparente fim. Aparente pois a vida não tem fim, bem como a energia que a eterniza. Para se tornar um ser são necessários um sem número de ciclos que perpassam milhares de afoitos instantes coordenados. Todos iniciamos sementes e, ao final, voltamos ao princípio, novamente sementes. A cadeia que envolve os seres vivos é a mesma para praticamente todos os organismos vivos. Começa, desenvolve-se e finda-se. A eternidade, ao mesmo tempo efêmera, e infinita.
    Tudo isso é resultado de uma interdependência entre os seres, cuja cadeia de vida estende-se pelos confins do universo. Macro e micro confundem-se e se interrelacionam. Daisaku Ikeda, em seu livro emblemático Vida, um enigma, uma jóia preciosa[1], coloca que:
    Na medida em que a vida estende sua influência à circunvizinhança, o meio ambiente automaticamente muda de acordo com a condição da vida. Então, o meio ambiente que é um reflexo da vida interior dos seus habitantes – sempre adquire as características dos que nele existem. (...)
    Cada vida é individual e, enquanto se manifesta neste mundo, a particular existência formada simultaneamente configura um meio ambiente com o qual seja compatível. Para ver a verdade disso basta olhar a circunvizinhança de uma pessoa particular, pois – nesse meio – podemos distinguir claramente todas as inclinações e características da sua vida. Se tentarmos imaginar um ser humano sem meio ambiente, estaremos falando de nada, configurando-o misticamente.
    O desenvolvimento de cada ser é parte do desenvolvimento do outro, tanto o que se encontra ao lado, como o que está a milhas de distância. Um não se completa sem o outro.
    Embora seja uma idéia aceita e consolidada em praticamente todos os meios, o que se vê na realidade é um distanciamento cada vez maior desta verdade em nome de um conjunto de dogmas que, ao longo da história, só tem causado desastres e sofrimento.
    O planeta se ressente deste distanciamento a que o homem se impôs e vem dando mostras contínuas de seu desconforto. Tragédias inimagináveis acometem populações inteiras, causando imensuráveis desperdícios de vidas. Tufões, furacões, tsunamis, terremotos, erupções vulcânicas. Tudo ocorrendo em seqüência e em conseqüência do desequilíbrio a que o homem vem impondo o seu meio.
    O ambiente em que o ser vive é parte dele e este, por sua vez, necessita de sua colaboração e afeto para subsistir em equilíbrio. A humanidade é parte de um processo evolutivo, em busca constante de desenvolvimento e crescimento. O planeta Terra, de acordo com a teoria de Gaia[2], é um ser vivo, lar de inúmeros organismos que devem conviver em simbiose para o bem deste imenso ser vivo. Cada indivíduo é parte de um processo contínuo de ação e reação que tornam a existência uma luta constante e incerta. E a capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.
    A continuidade de nossa existência neste planeta depende de como encararemos o desafio da convivência harmônica com os demais seres que nela habitam. Não há mais tempo para questionamentos sobre alternativas quanto ao que ser feito. O momento é de agir e mudar. Só assim garantiremos a permanência e o processo evolutivo natural, tanto da espécie humana quanto do mundo em que vivemos.
    [1] Livro de Daisaku Ikeda publicado pela Editora Brasil Seikyo.
    [2] Elaborada pelo britânico James E. Lovelock, nos fins da década de 60 que, junto com a norte-americana Lynn Margulis, estudou a atmosfera dos planetas como forma de detectar a existência de vida biológica. O termo “Teoria de Gaia” foi criado em homenagem à “deusa grega Gaia”. Segundo os estudiosos, o planeta Terra é um ser vivo, sua biosfera tem a capacidade de gerar, manter e regular as suas condições ambientais.

    Cidadania & Sustentabilidade

    Cidadania & Sustentabilidade

    “Os desejos têm sido a força motriz por trás do desenvolvimento da civilização moderna.
    Nós fizemos com que a natureza e a vida significassem um fim. (..) Mas agora, atingimos nossos limites.
    A busca egoística da felicidade surtiu um efeito contrário, trazendo sofrimento, resultante dos problemas ambientais e tecnológicos e levando à proliferação de armas de destruição em massa.
    Quaisquer que sejam as soluções globais duradouras para esses desafios, devem ser iniciadas com o que podemos chamar de revolução humana individual[1].” (Daisaku Ikeda)

    O novo ser humano que liderará este milênio tem de estar embasado necessariamente em um novo e inovador conceito, que perpasse pela ideia de cidadania planetária. Não mais poderá se voltar somente às questões locais, mas em cada ato, precisa buscar e replicar de forma a visualizar as conseqüências globalmente. O novo cidadão global é um ser que se devota com paixão às questões solidárias e que se envolve voluntariamente para solucionar os problemas de forma efetiva.
    Este cidadão é aquele que busca ainda, uma maneira de manter os atuais níveis de desenvolvimento e, mesmo assim, obter o equilíbrio do planeta, ou seja: crescer sem destruir. A palavra de ordem deste novo ser é Sustentabilidade. Ele sabe que se trata de um conceito sistêmico, muito em voga na atualidade, mas é urgente que a sociedade o assimile e introjete em sua vida, agora! A continuidade harmônica entre os aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da humanidade depende desta ação.
    Edgar Morin, antropólogo, sociólogo e filósofo francês, enfatiza em seu livro O método, a maior obra sobre epistemologia já escrita, diz que se deve:
    "... ensinar a cidadania terrena, ensinando a humanidade em sua unidade antropológica e suas diversidades individuais e culturais, bem como em sua comunidade de destino, própria à era planetária, em que todos os animais enfrentam os mesmos problemas vitais e morais".
    Tal posicionamento tem de obrigatoriamente passar pelo conceito de cultura de paz, uma vez que este engloba todas as questões acima descritas. O pacifista, filósofo e poeta Daisaku Ikeda inicia seu romance seriado Nova Revolução Humana, com a seguinte frase:
    Não existe nada tão sublime quanto a paz. Não há nada mais feliz do que a paz. Paz – eis o primeiro passo fundamental no propósito do avanço da humanidade.
    E a busca pela paz passa necessariamente pela busca pelo aprimoramento, aprender, ensinar e novamente estudar e compartilhar. A economista e ambientalista futurista Hazel Henderson afirma em suas palestras que para tornar realidade o conceito de sustentabilidade, “é melhor trocar receitas do que tortas e bolos”. Um consumo consciente e sustentável deve contemplar a produção e o comércio local e regional, isso é pensar globalmente e agir localmente, trazendo para a atualidade econômica o conceito do microbiologista franco-americano, René Dubos.
    Henderson vai mais além e coloca que “(..) Nós, humanos, adoramos compartilhar arte, poesia, literatura, filmes, ideias e invenções uns com os outros. Isto é comércio mundial sustentável, que ajuda a desenvolver a solidariedade e consciência humanas”
    Ou seja, fazer deste novo século uma era de paz e de sustentabilidade, tendo o conjunto da humanidade voltada para a solidariedade, o compartilhamento e a tolerância. Este é o caminho para uma cidadania plena e global sustentável.

    Responsabilidade Sócio-ambiental

    Responsabilidade Sócio-ambiental

    “O que importa é deixarmos de lado motivos egoísticos,
    empenhando-nos para proteger e melhorar não só a nossa vida,
    mas também a dos outros. Beneficiando os outros, estamos
    beneficiando a nós mesmos.”
    (Tsunesaburo Makiguchi)

    O poeta da floresta Thiago de Mello escreveu [1] que: “antes dos livros de Lovelock [2], de Al Gore[3] e dos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas, Daisaku Ikeda já advertia que o aquecimento da Terra poderia causar a ruína da humanidade. As mudanças climáticas estão no centro de suas grandes preocupações”. Os esforços da SGI em todo o mundo vão além da simples advertência, visam principalmente realizar uma transformação que perpassa fronteiras pois busca conscientizar cada indivíduo quanto à sua responsabilidade na preservação, por meio de ações conscientes e efetivas de criação de valores humanos.
    Não se trata de mera falácia preservacionista, tão em voga na atualidade. São ações conscientes, empreendidas todos os dias, por centenas de milhares de pessoas no Brasil, e cerca de 112 milhões em todo o mundo.
    Uma história real Uma grande empresa multinacional do ramo de jóias, com sede no Brasil, decidiu implantar um projeto sócio-ambiental em todas as suas filiais. A loja de São Paulo precisava indicar um funcionário para iniciar o projeto e, após analisarem os arquivos pessoais de todo o quadro de colaboradores, a única pessoa que compunha o perfil desejado era E., pois em seu currículo ela descrevia sua participação como voluntária em um projeto de agentes ambientais de uma ONG internacional. Sua chefe chamou-a e informou-lhe que estava sendo indicada para representar o escritório de SP. Um detalhe muito importante nessa história: E. trabalha como faxineira nesta empresa. Logo nas primeiras reuniões ela se destacou pelo empreendedorismo, visão e capacidade de articulação, inclusive propondo planilhas de controle e relatórios de desenvolvimento do projeto. Esse know how aprendido na BSGI fez toda diferença e ela então passou a coordenar o projeto da unidade de SP. E. relatou inclusive que chegou a proferir palestra para a diretoria da empresa, expondo os detalhes do projeto e a importância de haver sincronicidade com a Matriz, citando o pensamento de René Dubos: "Pensar globalmente e agir localmente". Quando se deu conta os diretores a admiravam perplexos. Humilde, mas consciente de sua missão como propagadora da filosofia Soka de Criação de Valores, disse simplesmente: "Os senhores devem estar pensando como pode uma faxineira ter tanto conteúdo? O presidente da SGI, dr.Daisaku Ikeda foi quem me ensinou e estimulou a ser o que sou". Como resultado ela foi entrevistada pela equipe de comunicação da empresa para contar sua trajetória de vida e como ela se interessou por reciclagem e sustentabilidade. Logo após esse episódio, E. foi promovida, deixando o setor de limpeza para outro de maior destaque.
    A história de E. não é um fato isolado. É somente uma dentre dezenas de milhares de histórias de vida real, que compõem a trajetória de mais de 60 anos da BSGI.
    O conceito de responsabilidade sócio-ambiental surgiu no início do século XX, mas foi somente na década de 1990 é que o tema passou a figurar em pautas de todos os níveis, a partir da divulgação dos resultados das duas primeiras Conferências Mundiais da Indústria sobre gerenciamento ambiental, ocorridas em 1984 e 1991. Mas antes disso, em 1972, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano foi um evento que transformou o meio ambiente em uma questão de relevância crucial para o futuro da humanidade. A partir deste marco, o tema passou a figurar na lista de prioridades em várias agendas nacionais e regionais. Esta conferência também instituiu a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) como “a consciência ambiental do sistema da Organização das Nações Unidas”.
    Foi também nessa época que a SGI, defendeu pela primeira vez, a criação de um Conselho de Segurança do Meio Ambiente e a formação de uma Força Mantenedora do Meio Ambiente semelhante à já existente Força Mantenedora da Paz das Nações Unidas. E vem sustentando essa bandeira desde então como uma forma efetiva de assegurar o cumprimento efetivo das medidas propostas posteriormente na Rio-92. Mais localmente, a BSGI, por meio de seus Núcleos de Bairro, fomenta a conscientização de seus associados para a questão e incentiva a efetiva participação em ações sócio-ambientais, como na história de E. narrada acima.
    Uma das ações é o grupo de Agentes Ambientais que atua em diversos estados do país ligado ao Núcleo de Cientistas da BSGI. Cada agente atua em suas comunidades em consonância com os projetos ambientais locais, mas focados com o objetivo global de conscientização e preservação de cada pedaço do planeta.
    Desenvolver e conscientizar para preservar. Esta é a premissa que a BSGI vem empreendendo pois compreende que se trata de uma necessidade básica para o estabelecimento de uma existência pacífica e plena.
    [1] Em artigo escrito especialmente para a revista Terceira Civilização, de setembro de 2009, pág. 41
    [2] James Ephraim Lovelock ( 26 de julho de 1919), pesquisador independente e ambientalista inglês. Foi ele quem primeiro sugeriu a hipótese da Terra como um superorganismo vivo, conhecida como Teoria Gaia.
    [3] Jornalista, escritor, documentarista e ativista ambiental estadunidense. Recebeu o prêmio Nobel da Paz de 2007, junto com o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU, "pelos seus esforços na construção e disseminação de maior conhecimento sobre as alterações climáticas induzidas pelo homem e por lançar as bases necessárias para inverter tais alterações".

    Transformação Interior

    Transformação Interior

    “O que a humanidade espera que chegu
    com o século XXI não é uma simples reorganização formal,
    mudança que nada muda. O que os homens desejam é uma
    revolução da qual todos participem, que se faça dentro
    da paz e que mude o próprio indivíduo, sustentada na
    prudência e num sábio sistema de princípios.
    O que eu chamo de Revolução Total é o nosso Kosen-Rufu”
    (Daisaku Ikeda)

    Integrar cada ser humano da Terra em uma rede neural – que supere quaisquer outras criadas artificialmente – por meio de uma transformação individual pessoa-a-pessoa, de modo a conduzir toda a Humanidade a uma existência plena, cônscios de sua responsabilidade pela vida no planeta. Este é o propósito último desta Revolução Total, ou Kosen-Rufu, conforme a epígrafe acima.
    Este conceito perpassa todos os aspectos da vida, como saúde, sociedade, política, religião, meio ambiente etc. Busca, em essência, o desenvolvimento das habilidades cognitivas em consonância a uma firme determinação pela busca de uma existência plena. Tal existência não se resume em meras conquistas de âmbito pessoal e material, mas busca uma radical mudança de hábitos com vistas ao empreendimento pragmático de uma paz perene.
    Nenhuma nação, mesmo que nunca tenha se embrenhado em uma guerra, jamais encontrará a harmonia se seus cidadãos estiverem imbuídos de sentimentos mesquinhos. É o grande equívoco da atualidade. Pensar que o desenvolvimento de um país seja fruto somente de avanços tecnológicos e econômicos só leva a mais desesperança e caos. Sociedade alguma pode calcar-se em valores como esse se almeja a paz.
    O co-fundador do Clube de Roma[1], Aurélio Peccei, é claro quanto ao que pensa ser uma revolução humana:
    “Só a Revolução Humana pode desterrar nosso potencial interior e fazer-nos sentir integralmente de modo a nos comportarmos condignamente; só ela pode nos mostrar como utilizar nossos computadores e satélites, nossas máquinas e instrumentos, nossos reatores nucleares e aparelhos eletrônicos, para melhor comungar com nossos irmãos e com todo o Universo. Só essa revolução pode nos fazer ver o quanto é importante sobreviver para ter uma vida digna de se viver, tanto pelo simples prazer de vivê-la, quanto para preparar de modo responsável e compassivo o caminho para as gerações que virão depois[2].”
    Somente a busca constante e perseverante pelo autodesenvolvimento pode trazer essa plenitude de forma a abarcar também as gerações vindouras.
    O poeta, ensaísta, humanista e líder da SGI, Daisaku Ikeda, enfatiza que a grande Revolução Humana inicia-se por uma única pessoa determinada. Primeiro, ela decide promover uma mudança pessoal, transformando seu ser. Ao agir assim, ela reverbera sua decisão e, tal qual uma pedra lançada em um lago cristalino provoca ondas concêntricas, sua revolução abarcará a todos à sua volta, inclusive as gerações que se seguirão.
    É nesse ponto que se fundamentam as ações empreendidas pela BSGI em todo o território nacional. Os encontros entre seus associados – eventos artísticos e educacionais, palestras, visitas familiares, mostras, ações humanitárias – têm como objetivo a promoção do autodesenvolvimento de cada associado de forma a propagar conceito a toda a sociedade.
    Conforme a epígrafe que inicia este texto, “o que os homens desejam é uma revolução da qual todos participem, que se faça dentro da paz e que mude o próprio indivíduo”, edificando uma vida que possa ser desfrutada com prazer e em harmonia, sem medo e com dignidade.
    [1] Fundado em 1968, o Clube de Roma é composto por ilustres pensadores que se reúnem para debater assuntos relacionados à política, economia internacional e, principalmente, ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Fundadores: o industrial italiano Aurelio Peccei e o cientista escocês Alexander King.
    [2] Do livro Antes que seja tarde demais, Editora Record, Rio de Janeiro, 1984, pág. 145

    Dignidade da Vida

    Dignidade da Vida

    “No desejo de varrer
    As trevas de minh’alma
    A grande árvore, eu procuro
    Que nunca se abalou
    Na fúria da tempestade.”
    (Frag. do poema “Ó Viajante”, de Daisaku Ikeda)

    Cena 1: É madrugada ainda e dezenas de jovens – rapazes e moças – já estão em alvoroço preparando o local para mais uma atividade. Organização, limpeza, arrumação são palavras de ordem para estas pessoas que não medem esforços para tornar o ambiente o melhor e o mais acolhedor possível aos que estão a chegar.
    Cena 2: A chuva cai torrencialmente, mas os abnegados entregadores de jornal mantém o sorriso e os passos largos pois sabem o quanto aqueles impressos significam para os aqueles que os aguardam.
    Cena 3: Nos rostos a glória de poder oferecer sua arte àqueles que a apreciam. São pessoas de todas as idades cantando e encantando um público que reconhece seu esforço e se regozijam com seu talento. Homens, mulheres, jovens e idosos em uníssono, cantam a alegria de estarem vivos e cientes de suas missões de propagadores da dignidade da vida em todos os sentidos.

    À cada cena acima descrita, poderiam se acrescidas muitas outras mais. Dezenas, centenas mais. Quiçá, milhares. E todas têm em comum a essência da filosofia da BSGI: a valorização da dignidade da vida. Cada ser é único, com capacidades e intelecto ímpares. Potencializar o máximo desses talentos é o objetivo maior desta organização. Descobrir, desenvolver e lapidar valores humanos são os objetivos intrínsecos a cada encontro. Se a humanidade busca um futuro promissor deve, em primeiro lugar, preservar com dignidade, cada vida humana. E este futuro não é algo assim tão distante, é algo que se vive, no dia a dia, com perseverança e determinação. São sonhos possíveis!
    Afinal, como o grande Luther King um dia vislumbrou:
    Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
    Eu tenho um sonho que um dia (..)meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!
    A filosofia kantiana[1] mostra que o homem como ser racional existe como fim em si, não simplesmente como meio. Isso porque estes possuem a razão que lhes confere a noção de valor. Enquanto isso, os seres irracionais têm valor relativo e condicionado (como meios), daí serem chamados de coisa, diferentemente dos homens, chamados de pessoas, “porque sua natureza já os designa como fim em si, ou seja, como algo que não pode ser empregado simplesmente como meio e conseqüentemente limita na mesma proporção o nosso arbítrio, por ser um objeto de respeito”.
    Ao se colocarem assim os conceitos, é fácil perceber que a dignidade é atributo intrínseco da essência humana, único ser que compreende o valor de sua natureza e a dos demais. É dessa forma que o conceito de dignidade se mimetiza com a própria natureza do ser humano.
    Mas o que estes conceitos têm em comum com as cenas descritas no início deste texto? Cada cena descreve um grupo de pessoas que encontrou em suas ações, a finalidade mais digna da existência: agir em prol de outras pessoas.
    A partir desse princípio é que surgem todos os outros e é nele também que se resume o conceito de dignidade da vida. Quando uma vida humana se dedica abnegadamente a outra, o círculo se fecha e uma fonte de ilimitada sinergia é partilhada por todos, reverberando pelo seu entorno e assim sucessivamente.
    [1] Immanuel Kant (Königsberg, 1724-1804) foi um filósofo prussiano. Considerado o último grande filósofo dos princípios da era moderna.

    História da Soka Gakkai no Brasil

    História da Soka Gakkai no Brasil




    “Sonhei que fui ao México!”, disse Josei Toda ao seu discípulo em certa ocasião. Foi com base nestas palavras que o jovem Daisaku Ikeda decidiu lançar-se ao mundo. No Brasil, a fundação aconteceu em outubro de 1960, com cerca de 200 associados, quase todos imigrantes japoneses. Hoje, passadas mais de seis décadas, a Associação Brasil SGI – BSGI conta com mais de 60 mil famílias, ou cerca de 200 mil associados, cada um voluntária e anonimamente, vem contribuindo incansavelmente para a promoção do Humanismo e para a construção de uma cultura de paz perene em terras brasileiras.
    No âmbito individual, sempre com base na filosofia humanística do Budismo de Nichiren Daishonin, a BSGI promove atividades entre seus associados para trocar conhecimentos, inclusive com visitas familiares, objetivando um mútuo incentivo para que cada um possa vencer suas circunstâncias diárias. Essas atividades ocorrem nos 2.500 Núcleos de Bairro espalhados por todo o Brasil e também nos grupos e departamentos Programas e Projetos
    Os Núcleos de Bairro funcionam também como sucursais da BSGI, onde são empreendidos encontros para estudo das publicações que tratam dos mais variados assuntos. Com isso a BSGI promove o combate ao analfabetismo funcional, além da conscientização social e política de cada associado.

    O grande desbravador de horizontes

    O grande desbravador de horizontes

    “Existe uma única estrada e somente uma, e essa é a estrada
    que eu amo. Eu a escolhi. Quando trilho nessa estrada as
    esperanças brotam, e, o sorriso se abre em meu rosto. Dessa
    estrada nunca, jamais fugirei.”
    (Daisaku Ikeda)

    – Seja como for, a grandiosa Revolução Humana de uma única pessoa irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país e, além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade!
    Essa é a frase que define total e completamente a enormidade de obra deste genial desbravador: Daisaku Ikeda.
    A frágil saúde sempre contrastou com sua índole inabalável por conhecimento. É o quinto filho de uma numerosa prole de oito irmãos e teve uma infância marcada pela dura realidade de uma família muito pobre. A extrema debilidade física levou-o a buscar respostas quanto às questões da vida e da morte. Encontrou sempre em sua mãe o conforto e o aconchego para prosseguir e enfrentar suas dificuldades.
    O Japão de 1928, ano em que nasceu, era um país desestruturado, combalido por escândalos político-sociais de toda ordem e uma crescente onda de imigração ao exterior. O que ocasionava grande insegurança e dificuldades à família que lidava com o plantio, colheita e comercialização de algas marinhas. A primeira infância foi vivida no bairro Kamata, de Tóquio em meio a muitos cuidados quanto à sua saúde, sempre muito preocupante. Um médico chegou a predizer que o garoto não chegaria aos 30 anos.
    Com a deflagração da Segunda Guerra Mundial, em 1939, Daisaku defrontou-se com a tragédia da guerra. Enquanto o Japão avançava na guerra e os esforços da Nação para manter as tropas em combate arrefeciam, o pequeno Daisaku viu um a um seus irmãos mais velhos serem levados ao front.
    Como se não bastasse, a família Ikeda precisou vender a casa e mudar-se para um pequeno barraco que, mais tarde quando irromperam os bombardeios em Tóquio, foi incendiado.
    Não houve outra saída se não o jovem e frágil Daisaku sair para buscar trabalho no esforço de guerra, praticamente o único setor da economia que fornecia emprego. Nessa época foi acometido de tuberculose e o trabalho em uma fábrica de armamentos agravou sua condição. Uma febre forte e constante atacava-o todos os dias no final da tarde. Além da tosse constante.
    A Segunda Guerra terminou em 1945, mas não o sofrimento da família Ikeda que, neste ano, recebeu o comunicado da morte de seu primogênito, em um campo de batalha na Birmânia.
    Além da catástrofe inimaginável das duas bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki em agosto daquele ano, o povo teve de se submeter à ocupação e à imposição de uma nova cultura e leis que desrespeitavam suas crenças milenares e sagradas. Foi uma Nação faminta e desesperançada que as tropas americanas encontraram naqueles tempos sombrios de pós-guerra. Para os conquistadores, um campo ideal onde fincar suas bandeiras e impor suas ordens.
    Porém, para um jovem como Daisaku Ikeda, embora sentisse também o peso da opressão, seu coração ardia de paixão pelo conhecimento e, mesmo sem se dar conta, em seu âmago, ansiava por um novo líder que trouxesse ordem àquele caos e lhe inspirasse, tanto confiança quanto esperança. Daisaku era, desde muito cedo, um leitor ávido e voraz. Todo o pouco dinheiro que lhe sobrava era investido em livros, sua maior e única riqueza. Seu único alento também, pois a literatura preenchia todo o vazio espiritual de seu jovem coração. Lia em especial, livros sobre Filosofia e, juntamente com um grupo de amigos também estudantes, passavam as horas vagas lendo e discutindo suas ideias.
    Foram esses passeios que o inspiraram a compor o poema Praia de Morigasaki, local em que costumava caminhar com um amigo, e onde travavam instigantes embates filosóficos sobre a vida e a morte. Eram também momentos de reflexões e desabafos. Somente ali eles eram capazes de demonstrarem suas frustrações e aflições. Daisaku conta que naquelas conversas, sentia-se como um barco em meio à tempestade, sem rumo e em busca de um farol que o guiasse.
    Pouco depois, aos 19 anos, deu-se o que seria a resposta à sua busca, com o encontro com Josei Toda, o homem que seria seu “farol” por todo o restante de sua ilustre e impressionante, mas curta, existência.
    Corria o ano de 1947, o Japão amargava já dois anos de ocupação e ainda vivia em um estado de quase miséria. A paisagem de Tóquio pouco mudara, era ainda visível por todo lado as marcas terríveis da guerra. Barracos precários foram erguidos sobre a terra calcinada e os abrigos antiaéreos eram ocupados por famílias inteiras de desabrigados.
    Convidado a participar de uma reunião onde seriam discutidas questões filosóficas, o jovem Daisaku conheceu, nesta ocasião, o homem que o inspiraria a mudar todo o rumo de sua vida. Naquele 14 de agosto, ao adentrar ao recinto da reunião da Soka Gakkai, percebeu-se imediatamente tomado por um profundo sentimento de aconchego e familiaridade. O homem que palestrava não era outro senão Josei Toda. Ele explanava sobre o Sutra de Lótus e todos os olhos e ouvidos encontravam-se totalmente absortos em seu discurso.
    Falando pausada e simplesmente, por trás das grossas lentes de sua miopia severa, Toda era somente coração. Explicava com a tranqüilidade de quem conta uma história corriqueira e seu impressionante carisma seduzia sua platéia atenta e ávida. Ao abrir para questionamentos, Daisaku não se conteve e pediu permissão para lhe fazer três perguntas:
    – Peço permissão para importuná-lo com três questões – disse o jovem com grande deferência – Primeiro: como o senhor definiria uma existência humana correta? Segundo: qual a sua definição para um verdadeiro patriota? E, terceiro: como o senhor encara a figura do imperador hoje?
    Toda já havia notado o jovem que se sentara um pouco atrás, mas mantinha os olhos fixos nele enquanto fazia anotações em seu bloco. Suas perguntas o surpreenderam e intrigaram e, por isso, dispôs-se a respondê-las com o mesmo respeito e deferência com que foram proferidas.
    Daisaku aguçou os ouvidos e esperou pelas respostas, ao mesmo tempo, analisava inconscientemente aquele homem. A voz possante e segura de Toda argumentando e tomada por profunda sinceridade tocaram o coração do jovem. No ardor de seus 19 anos, compreendeu e aceitou aquela dádiva recebida. Por fim, ao refletir por um instante sobre aquelas sábias palavras, citou um célebre provérbio chinês:
    – Faz bem pensar mais uma vez, embora concorde; é bom pensar mais uma vez embora discorde – disse sorrindo. E, para por fim ao seu pensamento, pediu licença uma vez mais para ler um poema que acabara de compor:
    – Quero conhecer mais desta filosofia para compreendê-la melhor e, como prova de meu apreço por sua palestra, quero pedir licença uma vez mais para declamar uma poesia que acabei de compor.
    Ó viajante!
    De onde vens?
    Para onde vais?
    A lua desce
    no caos da madrugada;
    mas vou andando,
    antes do Sol nascer,
    à procura de luz..
    No desejo de varrer
    as trevas de minh' alma,
    a grande árvore eu procuro
    que nunca se abalou
    na fúria da tempestade.
    Neste encontro ideal,
    sou eu quem
    surge da Terra!
    Toda foi tomado por súbita surpresa e emoção, em especial, ao ouvir o último verso do poema. O jovem Daisaku utilizara um termo budista que não fora abordado durante sua explanação, conhecido como Jiyu-no-bossatsu, que diz respeito ao surgimento dos bodisatvas da Terra que, “emergiriam da Terra”, uma referência aos discípulos do Buda Nichiren Daishonin que, em um momento propício, surgiriam da Terra para propagar a filosofia de vida deste Budismo a todo o planeta.
    Outra sincronicidade que não passou despercebida ao perspicaz Josei Toda, foi a idade de ambos: Daisaku contava com 19 anos e ele próprio 48. As mesmas idades com as quais ele encontrou-se com seu mestre Tsunesaburo Makiguchi. Ambos os fatos revelavam mais do que simples coincidência, era um alerta.
    Toda não se enganara naquela noite, pois 10 dias somente após esse primeiro encontro, Daisaku Ikeda converteu-se ao Budismo de Nichiren Daishonin, no dia 24 de agosto de 1947. E, desde aquele encontro, já se vão mais de 64 anos. Nestas décadas todas, o discípulo tornou-se mestre e a filosofia de vida que jurou abraçar hoje extende-se por quase 200 países e territórios do mundo, perfazendo um impressionante número de mais de 12 milhões de pessoas de todas as etnias, culturas e origens, unidas em um único ideal: a concretização de uma paz perene.

    Uma trajetória planetária

    Qual o verdadeiro propósito da vida? Este é o principal enigma sobre o qual toda a humanidade vem se debatendo ao longo de sua História. Desde a conversão ao Budismo de Nichiren Daishonin, a trajetória de Daisaku Ikeda foi marcada por um indomável desejo de aprender, compreender e consolidar a meta determinada por seu mestre Josei Toda.
    Foi o discípulo fiel que não poupou sua vida para dar continuidade a todas as ações do mentor. Um exemplo emblemático deste fato foi a sua incansável luta pela concretização de 750 mil famílias, objetivo lançado por Josei Toda em 1951 – e concretizado em 1957 –, para consolidar as bases da organização no Japão, visando o desenvolvimento mundial no futuro.
    Embora o tempo que passaram juntos tenha sido relativamente curto – pouco mais de uma década – a obra que ambos construíram é inegavelmente impressionante. Nunca na história da humanidade foi registrado tamanho desenvolvimento em uma entidade de cunho sócio-cultural em tão pouco tempo.
    Quando a Soka Gakkai já era uma organização que se alastrava por todo o arquipélago japonês, acontece aquela que foi considerada a cerimônia de transmissão da liderança, do mestre para o discípulo. O dia 16 de março de 1958 ficou conhecido como o Dia da Paz Mundial. Neste evento inesquecível, 6 mil jovens acorreram ao chamado do mestre Toda e receberam dele a incumbência de concretizar a paz perene no mundo, ou o Kossen-Rufu. Foi a última vez que praticamente todos aqueles jovens veriam o presidente Toda com vida. Foi seu último discurso.
    Toda faleceu em 2 de abril, duas semanas depois deixando a Daisaku Ikeda, a missão de completar a sua obra maior: a propagação mundial.
    Dois anos depois, aos 32 anos, em 3 de maio de 1960, Daisaku Ikeda assumiu como terceiro presidente da Soka Gakkai. E cinco meses apenas depois, partiu para sua primeira viagem ao exterior para plantar as sementes do Kossen-Rufu mundial. Percorreu nove cidades em três países, entre eles o Brasil, onde fundou o Distrito Brasil, com três comunidades e poucas dezenas de famílias.
    Quinze anos depois, funda a Soka Gakkai Internacional, em 1975, uma organização não governamental filiada à ONU, cujo objetivo é impulsionar e dar respaldo às entidades coligadas nos países em que está presente.
    A epígrafe que abre este texto tem na vida e obra de Daisaku Ikeda a prova de sua veracidade. O jovem cujo físico frágil recebera um prognóstico sombrio, de que não passaria dos 30 anos, adentrou em 2008 em sua oitava década de vida com renovado vigor e disposição para lançar objetivos para os próximos 20 anos.
    Sua luta pela paz perene não é mero idealismo utópico. Ikeda é um conferencista renomado que comprova suas palavras a partir de seus feitos. Sua ideologia baseia-se na Revolução Humana, um passo evolutivo que cada ser humano pode realizar a partir de sua transformação interior e conscientização quanto ao verdadeiro propósito da vida.
    – A paz que almejamos não é nada fora do ser, é algo que existe dentro de cada indivíduo e que uma vez evidenciado, promove a mudança de todo o seu entorno e de toda a sociedade – enfatiza Ikeda constantemente.
    Suas realizações perpassam todos os campos do conhecimento humano pois para ele a cultura é a expressão viva da capacidade ímpar do ser humano. Por acreditar na Educação como o principal meio para o aprimoramento individual, fundou escolas – desde o Ensino Infantil até a Universidade –, fundou instituições culturais como a Associação de Concertos Min-On e o Museu de Arte Fuji.
    Vem promovendo constantes diálogos com acadêmicos e líderes governamentais, proferiu palestras em universidades de ponta e, por indicação do então presidente da instituição, Austregésilo de Athaíde, foi nomeado sócio-correspondente da Academia Brasileira de Letras, em 1993. É reconhecido por mais de uma centena de instituições de ensino superior com o título de Doutor Honoris Causa e, em nome da paz perene pela qual realiza todas essas ações, anualmente elabora uma Proposta de Paz, entregue à ONU, desde 1983.
    Sobre esta assombrosa e gigantesca obra no curso de uma só vida, ele escreveu certa vez com humildade e simplicidade: “eu cumpri o juramento que fiz ao meu mestre. Eu cumpri o juramento que fiz aos meus companheiros. Eu cumpri todos os objetivos que lancei."

    Um combatente pela paz e justiça

    Um combatente pela paz e justiça

    É meu ardente desejo que a humanidade se livre do ciclo
    da guerra e crie sucessivas gerações de pessoas imbuídas de
    um profundo respeito pela dignidade da vida.
    (Josei Toda)

    – Juro banir a miséria da face da Terra! – esse foi o brado de indignação de um homem destemido ao se ver cercado pelas ruínas de um país derrotado moral e fisicamente. Josei Toda, o discípulo fiel de Tsunesaburo Makiguchi, sobrevivera à prisão, mas seu mestre se fora para sempre. O indescritível sofrimento experimentado nesta ocasião foi o estopim para fincar uma firme determinação em sua mente, a despeito das paredes desoladoras que tinham por finalidade, oprimi-lo. Ali, sozinho, fechado em sua cela, Toda sentiu a infinita alegria da Lei Suprema, ao atingir a Iluminação, ou a Sabedoria Ilimitada. A partir daí, nada ou ninguém poderia impedi-lo de cumprir dignamente o propósito de seu advento nesta Terra.
    A história de Josei Toda inicia-se na província de Ishikawa, ao norte da ilha de Honshu no Japão, em 11 de fevereiro de 1900. Caçula de uma prole numerosa, Toda desde cedo percebe que a vida, para ser experienciada plenamente, deve possuir um significado, ou será uma existência inútil. O falecimento de seu irmão mais velho, quando contava com apenas oito anos de idade, choca-o e o coloca frente-a-frente com as grandes questões da vida e da morte.
    Perspicaz e de grande vivacidade, o garoto Josei demonstra aptidão nata para os estudos, em especial a álgebra. Quando ainda no Ensino Fundamental, o adolescente Toda era constantemente chamado para substituir os professores, quando da ausência destes.
    Sua curiosidade e sede pelo conhecimento tinham, na precária condição financeira da família, seu maior empecilho. Certo dia, ao visitar a casa de seu professor, admirou-se com as estantes repletas de livros sobre literatura universal e filosofia. O anfitrião, munido de profunda benevolência, desafiou-o a ler todos. Disse-lhe que emprestaria um de cada vez até que ele conseguisse esvaziar todas as prateleiras. Surpreso e feliz com o súbito oferecimento, aceitou e assim, tornou-se um leitor ávido e voraz, absorvendo todo aquele manancial de conhecimento que, mais tarde, seria a base de toda a sua impressionante obra.
    Bem mais tarde, já um bem sucedido empreendedor, Toda declarou que tudo o que construiu de deveu àquele grande benfeitor de sua juventude. Em retribuição a este gesto, realizou doações de livros a escolas. Deste gesto surgiu a tradição da SGI de doar livros a bibliotecas escolares de todos os níveis – do Fundamental ao Superior – como forma de promoção da educação e da cultura.
    Embora tenha concluído com louvor os estudos, em 1914, não pode prosseguir devido às dificuldades financeiras da família. Precisou buscar trabalho para ajudar no custeio do sustento da família.
    Foi assim que em 1915, ingressou como aprendiz na Companhia Kokoro de Saporo, em Hokkaido, empresa do ramo de atacado de roupas, papelaria e miudezas. Embora o ambiente fosse pouco favorável aos estudos, aproveitava todos os momentos vagos para ler. Sua sede de conhecimento não se findara com os livros do professor.
    Passados somente dois anos, com o vasto conhecimento adquirido nos livros e, apesar de não ter cursado o Ensino Superior, prestou o exame que o qualificava para professor-assistente do Ensino Fundamental 1.
    Foi assim que em 1918 inicia sua carreira docente, lecionando para a 6ª série, na Escola Primária Mayati, em uma região remota de Yubari, cuja principal atividade econômica era nas minas de carvão. O jovem professor dividia a casa com um mineiro e as refeições eram fornecidas pela família de um de seus alunos.
    Rigoroso mas ao mesmo tempo imbuído de um profundo respeito e amor pela educação, Toda não demorou a conquistar seus alunos. Tanto que muito tempo depois, mesmo tendo permanecido pouco tempo no local, sua atuação marcou profundamente a vida daquelas crianças pois, décadas depois, estes alunos já adultos ainda se lembrariam do jovem professor Toda, com muita saudade, repleta de estima e consideração.
    Lecionava e estudava com afinco e, dois anos apenas depois, obteve aprovação nos testes que o habilitaram a lecionar Química, Física, Geometria, Álgebra e demais disciplinas regulares do Ensino Fundamental.
    Corria o ano de 1920 e o jovem professor conseguira enfim firmar-se profissionalmente. Porém, a pobre e distante localidade não lhe oferecia as condições necessárias para dar continuidade aos seus anseios. Decidiu então – muito contrariado pois nutria grande afeição pelas crianças – tentar a sorte na capital do país, Tóquio.

    Rumo à missão maior

    Não foram fáceis seus primeiros meses na grande cidade. Buscou, sem sucesso, colocação no magistério. Teve que aceitar uma colocação menor, como office boy dentre outros serviços temporários. Mas o que mais o angustiava era a falta de um mentor, alguém que pudesse orientá-lo quanto as visões corretas e meios de obter seus objetivos.
    Foi então que a sorte lhe sorriu: foi apresentado a Tsunesaburo Makiguchi, diretor da escola Nishimati, de Ensino Fundamental. Tinha sido advertido que este diretor caracterizava-se por métodos de ensino pouco ortodoxos, baseados em aguçar e fomentar as jovens mentes para a busca pelo conhecimento, não em memorização de conceitos e currículos rígidos. Ao ouvir sobre este educador, Toda exultou e, cedendo ao impulso, rogou para que Makiguchi o contratasse. “Posso transformar qualquer estudante atrasado em um excelente aluno!”, afirmou. Surpreso com a audácia daquele jovem de apenas 19 anos, Makiguchi cedeu, aceitando-o como professor substituto.
    Foi dessa forma que se deu o encontro que mudaria radicalmente a vida de ambos. Toda buscava um mestre, e Makiguchi ansiava por um discípulo que o acompanhasse em sua luta por uma sociedade baseada em valores humanísticos.
    Juntos, mestre e discípulo percorrem os caminhos de uma bem sucedida carreira docente que culminou na criação da Teoria do Sistema Educacional de Criação de Valores, obra que marcará o pensamento do grande educador Tsunesaburo Makiguchi, e pela qual será lembrado pela posteridade, através dos tempos.
    Em 1928 são apresentados ao Budismo de Nichiren Daishonin e, tomados por súbita emoção, exultaram com o sentimento de familiaridade, pois os fundamentos da filosofia humanística contidos nos ensinamentos budistas de Nichiren eram exatamente aqueles por eles defendidos há vários anos. Com o propósito de difundir tais ideais, fundam a Soka Kyoiku Gakkai, em 18 de novembro de 1930, com Makiguchi como presidente e Toda como diretor geral.
    A organização cresce sob a liderança da dupla e seus ideais expandem-se, promovendo uma onda de paz e tranqüilidade entre seus pares.
    Porém, com o advento da Segunda Guerra Mundial, o militarismo toma conta do país causando grande sofrimento à Nação. O governo decide impor à população, a adoção do talismã xintoísta como forma de unificar o sentimento nacional em torno do esforço de guerra. Makiguchi e Toda recusam-se a renegar sua fé e são presos, em julho de 1943.
    Em decorrência de uma desnutrição severa agravada pelos maus tratos, Makiguchi falece serenamente na prisão em novembro de 1944. Este fato irá marcar profundamente o discípulo que, posteriormente, se levantará sozinho para reconstruir a grande obra de seu mestre.
    Josei Toda escreveu sobre o falecimento de Makiguchi: “Eu não soube de imediato sobre a morte de meu mestre. A última vez que o vi foi no inverno de 1943, no posto policial onde estávamos presos. Fomos encarcerados em celas estreitas e individuais. (...) Somente em 8 de janeiro de 1945, um ano e meio após ser preso, disseram-me que o Sr. Makiguchi havia falecido. Quando retornei à minha cela, não pude conter as lágrimas”.
    A partir desta perda irreparável, Toda entrega-se totalmente à meditação e ao estudo das escrituras budistas, disposto a encontrar respostas aos seus mais profundos anseios, entre os quais, a melhor forma de honrar a memória de seu grande mentor. Em meio a estas sessões de meditação, oração e estudo, ele experimenta a infinita sabedoria proporcionada pela prática budista. Ele obtém a compreensão plena do Sutra de Lótus, atingindo a Iluminação. A importância deste acontecimento será decisiva no futuro.
    Um mês antes do cessar-fogo, em 3 de julho de 1945, é um determinado e resoluto Josei Toda que caminha a passos trôpegos, deixando os portões da prisão. Quem o visse naquela manhã de verão, diria que se tratava de um pobre e combalido ser humano. Mas se observasse seus olhos flamejantes de paixão pela humanidade, diria que se enganara. Ali estava um homem que nem o pior cárcere podia abater.
    Toda deixou a prisão aos 45 anos, e pesava menos de 40 quilos. Muito pouco para os seus quase 1,80m. Seu estado de saúde era menos que precário: tinha desnutrição, tuberculose, asma, cardiopatia, diabetes, e reumatismo. Além de diarréia crônica, e sua forte miopia havia sido agravada pela péssima condição física.
    Por tudo isso e também pela falência completa de sua empresa, sabia que a tarefa que o aguardava era quase impossível. Decidiu mudar o nome da organização de Soka Kyoiku Gakkai – Sociedade Educacional para a Criação de Valores –, para simplesmente, Soka Gakkai – Sociedade para a Criação de Valores, algo mais sucinto e, ao mesmo tempo, abrangente, pois transcende os objetivos puramente educacionais, engajando-se de maneira mais ampla no campo da cultura. O objetivo básico manteve-se: a difusão dos ideais filosóficos de Nichiren Daishonin para a construção de uma cultura de paz, sólida e perene.
    O encontro com o jovem de 19 anos, Daisaku Ikeda, em 1947, fechará um ciclo importante e coincidente que teve inicio em 1920, quando ele próprio conheceu Tsunesaburo Makiguchi, seu mestre. Ikeda, como ele próprio antes também aos 19 anos, buscava encontrar um mestre e uma verdadeira filosofia de vida que aplacasse seus anseios. Toda e Ikeda – mestre e discípulo – se tornam unos em seus ideais e juntos vão reconstruir a Soka Gakkai.
    Como se percebesse que teria pouco tempo, Toda entrega-se totalmente à tarefa de reconstrução, fundando um jornal, o Seikyo Shimbum, edificando os núcleos de bairro, realizando reuniões e viajando por todo o país a fim de incentivar seus companheiros para perseverarem em seus esforços. Por toda a parte do Japão, homens, mulheres, jovens e crianças passaram a orar o mantra budista e, por meio de sua dedicação, obtinham grandes e incríveis progressos, transformando radicalmente suas vidas.
    O ano de 1957 ficou marcado pelo impressionante número de 750 mil famílias atingido. No outono deste ano, a realização do festival anual esportivo do Núcleo Jovem reuniu cerca de 50 mil pessoas. E foi esse público que testemunhou o brado resoluto de um Josei Toda inabalável quando proferiu a célebre Declaração pela Abolição das Armas Nucleares, que se tornou seu testamento para os jovens de todo o mundo.
    Poucos meses depois, em 16 de março de 1958, Toda lidera pela última vez uma atividade da Soka Gakkai. Esse dia ficou conhecido como o Dia da Paz Mundial, ocasião em que o mestre Toda delegou a cada um dos jovens presentes e aos vindouros, a tarefa de realizar a paz perene no mundo. Porém, um dos jovens presentes ao evento, tomará para si aquela tarefa e, liderando todos os demais se lançará para o mundo, realizando o sonho de seu mestre de difundir os ideais de paz e humanismo para todo o planeta. Este jovem é Daisaku Ikeda.
    Naquele 16 de março de 1958, poucos poderiam prever que seria a última vez que veriam o mestre com vida. Duas semanas depois, em 2 de abril, o grande e destemido Josei Toda encerrou sua nobre e magnífica existência, serenamente, aos 58 anos, após realizar todos os seus anseios e os de seu mestre, Tsunesaburo Makiguchi. O palco agora era de seu jovem discípulo: Daisaku Ikeda!