Invencível nas adversidades
Parabéns a todos que irão concluir o ensino fundamental [em março].2 Vocês realmente se esforçaram muito nestes últimos seis anos. Junto com seus familiares, gostaria de oferecer‑lhes uma grande salva de palmas a todos vocês que cresceram tão extraordinariamente.
Por favor, não se esqueçam de serem gratos aos seus professores, que os apoiaram e ajudaram durante os anos do ensino fundamental.
Ainda tenho vívidas memórias de meus professores de ensino fundamental. Eles me ajudaram a descobrir a alegria de aprender. Eles me ensinaram sobre a vastidão do mundo, a importância de se ter um sonho e o verdadeiro valor da sinceridade e do esforço.
Hoje, vamos aprender sobre a famosa autora e ativista social Helen Keller (1880—1968) e o encontro dela com sua grande professora, Anne Sullivan (1866–1936), que a encorajou e alimentou seu potencial.
Gostaria de pedir que vocês cobrissem os olhos com as mãos. Provavelmente não conseguirão ver nada. Agora tampem os ouvidos de forma que dificulte a audição. Por fim, tentem perguntar algo para sua mãe ou para seu pai sem falar.
Eles foram capazes de entender vocês? É bastante desafiador, não é?
Helen Keller não conseguia ouvir, ver ou falar quando criança. Ainda assim, apesar de suas dificuldades, foi uma mulher que desfrutou uma vida positiva e alegre.
Helen nasceu nos Estados Unidos, em junho de 1880. Durante o inverno, quando estava com 19 meses, ela repentinamente teve febre muito alta, que perdurou por vários dias. Seus pais fizeram o melhor que puderam para cuidar dela, na esperança de que melhorasse. Suas orações foram atendidas, e a febre de Helen finalmente baixou.
Porém, quando eles tentavam falar com ela, Helen não respondia. A doença a deixara incapaz de ouvir ou falar, e até se esqueceu de como usar a voz.
Aos poucos, começou a comunicar seus sentimentos por meio de gestos, como balançar a cabeça. Mas, quando as pessoas não conseguiam entendê-la, ou algo a chateava, ela chorava e gritava, despejava sua frustração neles.
Os pais de Helen, que faziam tudo o que podiam para ajudar a filha, foram apresentados para uma jovem mulher chamada Anne Sullivan, que acabara de se formar na escola com as mais elevadas honrarias.
Anne havia perdido a mãe quando tinha 8 anos. Ela e o irmão mais novo moravam com o pai, que era alcoólatra e desempregado. Eles eram muito pobres. Anne também travou uma batalha contra a cegueira [finalizada por uma cirurgia de sucesso, que restaurou parte de sua visão].
Aqueles que não são derrotados pelas dificuldades são verdadeiramente capazes de entender o sofrimento e a tristeza dos outros. Isso os torna bons e solidários.
Anne Sullivan se tornou tutora de Helen quando esta estava com 7 anos, e a menina, com o tempo, passou a confiar nela. Anne acreditava no potencial de Helen e a ensinou com grande paciência.
Helen aprendeu datilologia, o que lhe permitiu soletrar palavras com os dedos. Anne a ensinou escrevendo letras na palma da mão da menina.
No início, não importava quantas vezes Anne tentasse ensiná-la, Helen não era capaz de captar a ideia de que tudo tinha um nome.
Helen não conseguia distinguir entre o copo e a água dentro dele. Um dia, Anne Sullivan bombeou água do poço no quintal e pediu para que Helen segurasse o copo com uma mão, colocando-o embaixo do cano da água. A água transbordou pelo copo, jorrando pela mão da menina.
Anne pegou a outra mão de Helen e soletrou a palavra “água” repetidas vezes. De repente, a menina fez a conexão. Ela percebeu que aquele líquido frio que escorria por sua mão tinha um nome: “água”.
Helen entendeu então o significado de palavras como “pai”, “mãe”, “irmã” e “professor” e aprendeu muitas palavras rapidamente. Ela começou a ver e ouvir com sua mente. A luz do aprendizado começava a iluminar seu coração.
Helen aprendeu a se comunicar com sua professora por meio da datilologia, posicionando suas mãos em cima das palmas de sua professora. Mais tarde, depois de aprender a ler Braille — um jeito de escrever que usa pontos em alto relevo em um pedaço de papel para representar letras —, ela começou a ler livros. Helen continuou seus esforços até aprender a escrever frases e usar a voz para falar. Preenchida pela alegria de aprender, ela fez um excelente progresso. E sua professora, Anne Sullivan, sempre estava ao seu lado.
Helen tinha um grande sonho: fazer faculdade. Sua escolha foi a Universidade Harvard, uma das mais prestigiadas universidades da América do Norte — na qual já fui convidado a dar palestras por duas vezes.
Todos os amigos de Helen disseram que seria impossível ela ingressar em Harvard, e que deveria abandonar a ideia. Mas ela e Anne Sullivan se uniram como mestre e discípulo em seus esforços para serem aceitas.
Nessa época, o amado pai de Helen faleceu, deixando-a profundamente triste. Porém, com o apoio de muitos, ela teve sucesso e foi aceita na Faculdade Radcliffe, instituição feminina associada a Harvard. Lá ela estudou diligentemente e se graduou com honrarias.
Helen se dedicou então a ajudar outros que eram surdos e mudos para que fossem capazes de ter uma vida feliz. E viajou o mundo clamando por paz e incentivando as pessoas.
Ela também visitou o Japão por três vezes. Sua primeira visita foi há quase oitenta anos, em abril de 1937, quando as cerejeiras estavam completamente floridas. Dirigindo‑se a um público japonês, compartilhou sua crença de que nossos sorrisos são mais radiantes e bonitos quando ajudamos aqueles que precisam.
Uma carta escrita por Helen Keller faz parte de exposições patrocinadas pela Soka Gakkai, como Human Rights in the 21st Century — Treasuring Each Individual (2005–) e Books — Heritage of Humanity (2006–) [respectivamente, Direitos Humanos no Século 21 — Valorizando Cada Indivíduo e Livros — A Herança da Humanidade, em tradução livre]. Os visitantes das exposições acham essa carta muito inspiradora. Nela, Helen escreveu: “Se você pode apreciar o sol e as flores e a música onde não há nada além de escuridão e silêncio, provou o Sentido Místico”.3 A professora de Helen, Anne Sullivan, foi aquela que fez brotar o poder espiritual no coração dela.
Pessoas ao redor do mundo aplaudiram a relação entre professora e aluna construída por Helen Keller e Anne Sullivan.
Em 15 de junho de 1932, a Universidade de Glasgow, na Escócia, ofereceu a Helen Keller o título de doutora honorária em louvor a ela e à sua professora.
Por acaso, no mesmo dia, sessenta e dois anos depois (em 1994), essa mesma universidade me concedeu um título de doutorado honorário, e também prestou homenagem ao encontro que tive com meu mestre, o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda.
Refletindo sobre sua relação com Anne Sullivan, Helen disse, com sua mais profunda gratidão: “Não consigo pensar em ninguém mais no seu lugar”.4
Eu também não consigo imaginar ninguém além do Sr. Toda como meu mestre da vida. O fato de tê-lo como meu mestre me fez quem sou hoje. Ele me possibilitou uma vida incrível. E me capacitou a trabalhar pela paz mundial e a encontrar e construir amizades com pessoas ao redor do mundo.
Também tenho a boa sorte de me encontrar com todos vocês, membros da Divisão dos Estudantes. Assim como ter encontrado o Sr. Toda é um grande tesouro em minha vida, eu os considero grandes tesouros, não somente para mim, mas para o futuro da humanidade.
Saiba mais
Confira seis curiosidades que a RDez separou sobre os desafios e conquistas de Keller
Show de talentos
Na década de 1920, Helen trabalhou durante quatro anos em um espetáculo de variedades contando sobre sua vida, enquanto Sullivan traduzia.
Idiomas estrangeiros
Após aprender Braille, Hellen usou seu conhecimento para aprender outros idiomas como inglês, francês, alemão, grego e latim.
Prêmios e homenagens
Foi condecorada pelo presidente dos Estados Unidos com a medalha da liberdade, o maior reconhecimento que um civil pode receber. Em 1965, entrou para o National Women’s Hall of Fame [Hall da fama].
Prêmio Nobel
Em 1953, Helen ganhou o Prêmio Nobel da Paz após ter visitado o Oriente Médio para defender os direitos dos cegos e das pessoas com deficiência.
Mundo acadêmico
Aos 20 anos, escreveu uma autobiografia à mão, ingressou no estudo formal e foi a primeira cega e surda a se formar em uma universidade. Virou ativista política e publicou 12 livros.
Luz, camera, ação
Em 1951, sua história virou peça de teatro e, em 1962, um filme dirigido por Arthur Penn, que conquistou 2 oscars.
A História da Minha Vida
Autora: Helen Keller
Editora: José Olympio
Este livro traz a autobiografia de Helen Keller (1880 — 1968) que conta como a chegada da professora Anne Sullivan à sua casa transformou sua vida: “O dia mais importante de que me lembro (...) é o da chegada de minha professora, Anne Mansfield Sullivan. Fico maravilhada quando penso no imenso contraste entre as duas vidas que este dia ligou”.
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